quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Ser ou ter? Ser por ter ou ter para ser!... O que tem é? E o que não tem o que é?

                                                                                                 Fernando J. Vaz

Há dias fui visitar um amigo (uma relação) para preparar o batismo do último filho (Liam) e antes mesmo de me perguntarem como vai a saúde, a família... começaram a visita guiada da casa.
-Aquí é o hall de entrada onde se podem deixar os sapatos e o sobretudo...
-Não obrigado, não vou demorar...
-Aquí é a parte “dia”, toda aberta à maneira americana, com o salão, sala de jantar e cozinha com bar para tomar o  aperitivo ao mesmo tempo que se cozinha! Aperitivo?!
  Pensei que iamos parar por alí e dar inicio ao trabalho que justifica a minha deslocação e talvez  beber um café, pois gabaram muito a máquina toda automática, alí bem em evidência.
  Nada disso a visita continuou. Abriram uma porta e tive que admirar a retrete e a outra peça ao lado para arrumar aspirador e objectos domésticos...
-Agora passamos para a parte ”noite”... Desculpem lá, mas a parte noite fica para a próxima vez pois penso ir dormir a minha casa e até estou com bastante pressa. Parece que não gostaram da minha reacção e foi talvez por isso que não tive direito nem sequer a um copo de água... Falei-lhes do baptismo em geral e da cerimónia para o baptismo do Liam  em particular e marquei encontro com eles para 15 dias depois, mas desta vez na casa paroquial.
Quando cheguei a casa expliquei à minha mulher o momento desagradável que tinha vivido e até lhe disse que as nossas visitas devem pensar que nem temos quartos nem casa de banho pois sempre os recebemos na sala de jantar. Alguns só sabem que temos retrete pois tiveram necessidade de a utilizar!
Ela respondeu-me: para que te serviu estudares psicologia se não és capaz de te adaptar ás pessoas. Deste prova de pouca educação e nenhuma empatia. Muitas pessoas existem através do que têm e outros através do que são e todos merecem o mesmo respeito e atenção...
Não sei se sou ou se tenho (talvez um pouco de cada) mas de certeza que já passei a idade de suportar tanta banalidade.
Sei que não sou um caso único. Tenho uns amigos aí em Portugal, em Torres Novas... São eles mesmos...
Na casa deles conhecia bem as duas cozinhas, a churrasqueira o quarto onde dormi e a famosa cave.
Deve haver ainda outras partes que não conheço pois a casa é grande. E só soube que tinham um salão e uma sala de jantar, talvez na minha quinta visita, quando o Bispo deles se convidou para ir lá comer.
Porque disse tudo isto? Por nada, apeteceu-me!

Um abraço, do Fernando.

2 comentários:

Eduardo disse...



Pois é, Fernando, aqui está um bom retrato da pequenez humana.
E a Geneviève tem razão: Bom observador do comportamento humano,
mas às vezes esqueces-te que está no fundo da nossa alma, o ter e não o ser,o que faz da humanidade esta insanidade presente.
Mas quem te manda a ti andares a fazeres prosélitos?
Penso, que com a tua reflexão contribuis para dar vida ao Blog.
E o Nelson, falando do imortal Pe Oliveira, psiquiatra da nossa juventude,vem avivar a nossa memória. Trazer, magistralmente, para o presente casos, vivências que fizeram de nós aquilo que nós somos.
EBento
...


Nelson disse...

Estes meus arremedos de cronista, caríssimo Eduardo, têm como finalidade primeira testar a minha memória que, felizmente ainda me não atraiçoa. Pode haver um tropeção aqui ou ali, mais nos nomes que não nos acontecimentos.
Abraços para vós dois, meus caros amigos e Velhos Companheiros.
Nelson