quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Encontro Anual 2012


Caros Colegas e Amigos

Conforme estava combinado os ex-alunos dominicanos tiveram o seu encontro anual no passado dia 6 no Convento de Cristo Rei do Porto.
Foi mais um dia de agradável e são convívio que permitiu matar saudades e colocar a conversa em dia.
Infelizmente não estiveram todos e até faltaram alguns dos "habituais". Mas, mesmo assim, estiveram bem representados.
Como todos sabem este ano o encontro foi partilhado com a família dominicana - a convite do Padre Provincial, Frei José Nunes - que está a celebrar o cinquentenário da restauração da Província Dominicana em Portugal.
O convívio alargado com as religiosas e os religiosos dominicanos foi agradável e revitalizador.
Sentiu-se o espírito dominicano que a todos nos envolve pois - quer queiramos quer não - nele fomos formatados e nele assenta grande parte da nossa formação e educação básicas.
Foi um dia em cheio preenchido com um colóquio sobre a restauração da Província Dominicana portuguesa distribuído por três paineis:
Um dedicado ao passado com quatro temas; outro sobre a presença dominicana em Portugal no século XX, com cinco temas; e outro ainda sobre as marcas dominicanas, distribuídas por quatro temas.
Foi enriquecedor avivar a memória e ficar a conhecer certos aspetos menos conhecidos dos dominicanos portugueses no passado, como v.g. a existência em Portugal no séc. XVIII (84 anos antes da extinção das ordens religiosas) de 20 conventos e 693 religiosos dominicanos!) e tomar contato com os desafios que os dominicanos enfrentam no futuro.
O almoço foi servido no próprio convento em ambiente de agradável confraternização.
No final trocamos abraços de despedida até ao próximo encontro que terá lugar em 05.10.2013. Aldeia Nova
Reservem agenda. Contamos convosco.

A Comissão Organizadora


terça-feira, 16 de outubro de 2012

AQUI, AUSTRÁLIA!...

Deus não me criou com o dom de escrever bem. Nem tão pouco com o dom de falar bem.
Não sei bem qual dos dois é o mais importante! Mas acho que, cada um no seu devido lugar, são de igual valor. Ou não serão?!
Talvez não. A palavra passa e acaba por caír no esquecimento(“Palavras léva-as o vento” não é o que diz o ditado?)
Pois é! Por isso mesmo, eu considero o dom de escrever mais importante!
Mas quem sou eu para estar aqui a tentar ditar sentenças!
Nem foi para isso que, hoje, decidí “aterrar” aqui.
Fui “empurrado” por alguém que muito estimo!  
Mas estou aqui para saúdar fraternalmente todos aqueles que são dotados das duas qualidades que acima referí como o Eduardo Bento, o José Alexandrino, o Nelson, o Joaquim Moreno, o José Celestino etc., etc., etc.!!! Tantos e tão bons em transmitir aos outros, por escrito, aquilo que sentem e que acham ser de interesse para aqueles que os leêm. Mesmo que sejam histórias da nossa juventude como as primeiras caminhadas, a pé, de Caxarias até Aldeia Nova a serem perseguidos pelos lobos (José Alexandrino). Bem contada e cheia de expressão, aquela história. Com a vantágem de ser verdadeira!
O meu querido amigo Nelson (espero que ele não me leve a mal tratá-lo desta maneira) várias vezes nos tem feito sentir que se sente como que esquecido por todos nós através do “Criar Laços” pois a colaboração dos bons escritores por vezes sofre de interrégnos que parecem querer quebrar os elos que, em tão boa hora, foram lançados com a criação do Blogue.
Acho que o Nelson e aqueles que com ele colaboraram devem sentír-se orgulhosos deste feito. Com ele(feito) eles agruparam todos aqueles que, por razões várias e de força maior, ficaram espalhados pelos quatro cantos do mundo.
Eu sou, nada mais nada menos que um desses, involuntáriamente, desaparecidos na vasta imensidão do globo terrestre.
Outros há que, voluntáriamente, decidiram por tentar uma vida melhor (eterna aspiração do ser humano) noutras partes do globo.
Mas para esses também o “Criar Laços” os chama a fazerem parte da família dos antigos alunos Dominicanos. Eles também teem aqui o seu lugar, o lugar para contárem as suas aventuras, as suas histórias muitas das quais, tenho a certeza, serão cheias de emoção e sentimento.
Este é o lugar onde podemos desabafar; este é o lugar onde podemos matar saúdades; este é o lugar onde podemos reviver o passado de Aldeia Nova e Fátima onde as raízes que hoje nos únem tiveram a sua orígem.
Para o Nelson que aguenta com a manutenção do Blogue parabéns e que o sucesso continue a ser o sangue que mantem vivo este ponto de encontro.
Para mim, a última coisa que faço ao fechar o meu dia, é fazer uma visita ao “Criar Laços” à procura de novidades.
Por vezes não há novidades mas é como se uma rajada de ar fresco passasse por nós que nos predispõe para uma boa noite de repouso.
Parabéns Nelson pelo teu trabalho e...
Um grande para ti e para todos.
Eu sou o Ferreira


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

COMUNICAÇÃO DO EDUARDO BENTO NO COLÓQUIO RELATIVO AO 50º ANIVERSÁRIO DA RESTAURAÇÃO DA PROVÍNCIA DOMINICANA PORTUGUESA - Convento de Cristo-Rei no Porto, 6 de Outubro de 2012





O STUDIUM DO CONVENTO DOMINICANO DE FÁTIMA



Chegávamos ao Convento, quase todos vindos de Aldeia Nova, cheios de expectativas, transportando sonhos. E vimos que não nos matavam os sonhos, antes nos incentivavam e ensinavam a sonhar, a sonhar sem limites.


Já em Aldeia Nova a diversidade da proveniência geográfica e cultural dos alunos era muito enriquecedora. Irmanados na mesma nau, criámos laços indestrutíveis para vida e, os professores, substitutos dos nossos pais que havíamos deixado para trás, foram o pai e a mãe que tão sábia e afavelmente nos ajudaram a crescer.


Esta reflexão permite-me o reencontro com esse tempo de alegria e de liberdade em que nos era feito o convite para nos elevarmos ao encontro do enriquecimento espiritual e cognitivo. E nós, tantas vezes, correspondíamos, a esse acolhimento sábio e afável, com a louca irreverência da juventude.


Chegados ao convento de Fátima, surpreendiam-nos rituais como o toque da sineta despertando-nos e ritmando os nossos passos para actos da vida comunitária; as lentas procissões entoando a salmódia em direcção à capela; o fazer da vénia, como pedido de desculpa e em sinal de obediência; o silêncio e a leitura no refeitório e, sobretudo, a serena elevação do cântico gregoriano ao ritmo das horas canónicas.


No espaço iniciático do noviciado éramos confrontados com a riqueza do espírito dominicano. Abordávamos S. Domingos, S. Tomás, Santa Catarina de Sena, os místicos alemães, entre muitos outros, da ordem dos pregadores e não só, que a nossa formação sempre se abriu à universalidade do pensamento.


Lembro-me dos longos passeios mensais quando, a pé, deambulando pelo espaço envolvente, quebrávamos o ritmo conventual; lembro-me dos incríveis jogos de futebol em que incríveis artistas mostravam uma habilidade que ainda hoje é recordada e motivo de conversa nos nossos encontros.


Quem me haveria de dizer, nesse dia 11 de Março de 1962 em que eu, com os mais velhos de Aldeia Nova, tive a alegria de participar no acto de Restauração da Província Dominicana que, passados cinquenta anos, aqui estaria a fazer esta breve abordagem do que foi a nossa passagem pelo Studium de Fátima.


Não cabe neste tempo de exposição, nem eu teria engenho e arte para fazê-lo, dizer suficientemente o que foi essa experiência de vida profunda e tão enriquecedora. Pouco é o tempo para falar de um caminho que aqui se iniciou e se espraiou em tantas dimensões.


O estudantado abriu-se a diversas ordens e congregações residentes em Fátima: Carmelitas, Consolata, Verbo Divino… E pelas nossas conversas sabíamos como as condições de estudo que nos eram proporcionadas seriam únicas e invejáveis. Apesar de vivermos em comunidades com regras e espiritualidades diferentes, partilhávamos as mesmas aulas de Filosofia e de Teologia. Esta diversidade permitiu construir o respeito pelas diferenças e aprender na diversidade de experiências. As aulas eram espaço de diálogo e de debate onde não havia lugar para o magister dixit, mas o convite à investigação e à leitura. Tínhamos à nossa livre disposição uma riquíssima biblioteca.


Coube-nos em sorte um corpo docente constituído por jovens, cheios de entusiasmo que haviam experienciado a vida e o conhecimento em vários recantos do mundo.


Podíamos ter uma aula em português, a seguir uma em castelhano e logo outra em língua francesa. Entre outros, tivemos professores canadianos, belgas, holandeses, espanhóis… até um vietnamita…




Eu, que conheci diversas escolas, é com emoção e com uma gratidão sem medida que olho para trás e posso reconhecer a qualidade de excelência que tinha o curso de filosofia, onde leccionavam mestres para quem ao longo da vida tantas vezes me voltei para tentar imitar o seu método, o seu saber fazer. Mestres que no meu percurso académico avoquei e muitas vezes consultei para melhor iluminar o meu percurso docente. Nunca mais nos meus estudos encontrei fonte semelhante pela profundidade do conhecimento e pela elevação do saber, e frequentei algumas escolas.


Introdução à História da Filosofia, Metafísica, Lógica, Ética, Psicologia… Foram-nos abertas as portas para o deslumbramento da originalidade do pensamento grego. Olhámos como os antigos milésios quiseram encontrar o elemento original constitutivo da matéria; como as aporias entre Heraclito e Parménides fecundaram para sempre o pensamento ocidental; como a busca metafísica deu os primeiros passos numa tentativa de destrinça entre ser e não ser onde, afinal, se conjuga simultaneamente o mesmo e o diferente; como alguns, não encontrando fundamento nas coisas sensíveis, buscaram a sua justificação fora deste mundo, e como o “divino Platão”, convidando-nos a sair da caverna e a buscar nas Formas a realidade, abriu as portas ao pensamento aristotélico, que S.Tomás, haveria de forma tão original tornar tão fecundo.


E para sempre seria S.Tomás. Homem do seu tempo, dá-nos a síntese admirável de um pensamento original que vem dos gregos, passa pelos árabes e judeus, bebe ainda nos primeiros medievais. E é ele, quando o mundo feudal se começa a desagregar, que abre as portas à modernidade, mais não seja, pela valorização da razão e do mundo sensível. O Doutor Angélico soube criar um dos mais notáveis sistemas filosóficos de que nós no Studium de Fátima nos inebriámos para toda a vida.


Seria fastidioso, nem cabe nas simples linhas desta abordagem, dizer da riqueza, da profundidade, da universalidade deste pensamento que aqui bebemos e nos marcou de forma inapagável para todo o sempre. Daí nasceu a convicção de que qualquer passo filosófico que esqueça ou contorne S.Tomás caminhará truncado ou na ignorância.


E foi assim que nós nos movemos pelos meandros universais do pensamento humano. Do mito até aos contemporâneos. Trilhando um caminho em que relativo se conjuga com absoluto e em cujo horizonte nos foi apontada como fim da nossa aventura filosófica a Veritas. Verdade que não teme o erro, sabe alimentar-se da dúvida e, como nos diz o Frei Bento O.P. ( Público 7/10/12 ), «a verdade é fruto de uma busca humilde». Os estudos filosóficos, tão desvalorizados e em desuso, hoje, nas nossas escolas, abriram-nos o espírito não para as certezas indiscutíveis e dogmáticas mas para a inquietação das perguntas.


Não se pense que os nossos estudos humanísticos se limitavam à Filosofia e à Psicologia. Fazia parte do nosso plano de estudos a abordagem de Questões Científicas em que de uma forma aberta se debatiam os mais diversos problemas.


Também de uma forma inovadora tínhamos aulas de Literatura universal onde os gregos eram outra vez ponto de partida e o bardo da Íliada nos dizia: “ Canta, ó musa, a cólera de Aquiles” apontando-nos o apelo humanístico reforçado pela voz trágica de Sófocles: “ Todas as coisas são maravilhosas, mas nada é mais maravilhoso do que o homem”. Frequentámos todos os grandes clássicos portugueses e fomos dos mestres russos, aos ingleses passando por americanos e franceses, enriquecendo-nos com uma inapagável formação estético-literária.


Actividades como o teatro não estiveram ausentes da nossa formação. Lembro-me que representámos para um público alargado peças como, O Assassínio na Catedral de T.S. Eliot e Felizmente há Luar de Luís de Sttau Monteiro. E quem não se lembra dos famosos “cursos de Verão” que a tantos de nós abriram as portas para a formação cinematográfica?


Se Tomás de Aquino é o nosso primeiro mestre do caminhar filosófico, o seu pensamento é essencialmente teológico e a Teologia era o coroar da nossa formação no Studium de Fátima. E lembro-me daqueles tempos prenhes de inovação e de criatividade, das infindas discussões e fecundos debates. Eram os luminosos tempos do Concílio Vaticano II. Os nossos professores dispostos aos novos ventos, que sopravam do lado do Espírito, estavam atentos a todos os sinais. Aos sinais do tempo. E todo o tempo era profético, o que nos enchia de esperança e de uma infindável alegria. Isso tudo foi bastante e demorou o suficiente para deixar inquebráveis raízes mesmo que a pouco e pouco se fossem silenciando algumas vozes da profecia. Aí começou uma Primavera que nunca mais teve fim. Aprendemos que, apesar de tudo, o Espírito continuará sempre a soprar onde quer.


Então, a Liturgia conheceu novos tempos, um espírito de inovação e de surpreendente abertura; a exegese bíblica ofereceu-nos um campo de leitura, novos horizontes, impulsionada pela análise científica da Escola de Jerusalém. A Teologia, na peugada de São Tomás, disse-nos que, apesar do dogma não estar ao alcance da razão, a revelação não torna inútil essa razão mas ela pode ajudar a esclarecer a fé. Confrontámo-nos sem tabus com temas como a Criação, a Santíssima Trindade, a Eucaristia, Justiça-Pecado-Graça. E enveredávamos pelos escusos caminhos da História da Igreja, tão escusos, frágeis e contraditórios porque humanos mas sempre nas encruzilhadas do divino…


Enfim, tanto que poderia ser dito. Não posso deixar de referir os luminosos mestres contemporâneos, obreiros de uma teologia aberta ao mundo e de um evangelho para os tempos que aí vinham, com que fomos confrontados num fecundo diálogo: Congar, Chenu, Henri de Lubac, Schillebeeckx, Hans Küng…


Em conclusão, direi que fomos beneficiários de uma escola extraordinária que nos preparou para a vida e nos deu asas para viajar por múltiplos campos culturais e nos abriu infindos horizontes. Somos de uma formação humanística que fez de nós pessoas e nos ensinou a pensar e a criar livremente. Coube-nos a felicidade de ter os professores que tivemos: pedagogos, conhecedores, sábios. Os alicerces foram sólidos. A Veritas que circula nas veias dominicanas ficou para sempre em nós como a chama que, neste tempo do banal e do relativismo, nos leva e nos eleva para o Absoluto.

E. Bento

NUNCA AS COISAS ESTÃO TÃO MÁS QUE NÃO POSSAM PIORAR...

Ao eminente  editor  do blog, “Criar Laços”, que  muitos laços tem criado e alimentado.
Muito respeitosamente:
Queixa-se Vossa Mercê de falta de movimento nestas nobres e estimadas paragens.
 Refletindo na mais profunda convicção de alma e finança pública, encorpando a voz do povo, contribuindo para a causa, aqui deixo algumas das minhas lógicas assombrações e o meu desabafo que há-de ser justiçado por poucos e vilipendiado por quase todos:
Andam as vacas magras e os escribas sem tinta!  O nosso Primeiro Ministro quer que os mesmos, os que sempre pagaram para amortizar o défice, continuem!  Consta que no próximo Orçamento da Nação, aqueles que entregaram o leite e o queijo, entreguem agora o cajado, o bornal, a pele e as armações do rebanho! Ficam em reserva para depois do Natal e Ano Novo, segundo as más línguas, os animais domésticos típicos, patos, canários, periquitos e ainda os gatos e tartarugas com mais de duas patas;  vai ainda pagar imposto o uso de duas muletas em simultâneo, óculos com mais de uma lente (… com um só olho o Camões é um símbolo nacional e o Spínola, de monóculo, chegou a marechal, tem lógica!) e o champô para carecas. Nesta terra, dizem as más línguas, que há deputados a mais ( com a disciplina de voto, tanto faz estar lá um bando de cem como um… o voto é o mesmo e único ), vereadores,  municípios, carros, reformas políticas e mordomias a mais. Muitos políticos enriquecem sem sabermos como, sendo por isso absolutamente razoável, consensual e compreensível, que a Assembleia da República não aprove medidas que engavetem vizinhos e amigos de bancada, sendo também quase certo que se fossem presos os prevaricadores que por lá andem, teríamos de enriquecer os candidatos que estão na fila em espera ordeira… com as mesmas justíssimas expectativas. O povo anda a salvar os pobres Bancos, deixando de comer para juntar os milhares de milhões que foram parar aos bolsos de uma dúzia ou duas de bodes ( a minha educação não me permite vocalizar palavrões e muito menos repetir a terminologia do Pe Mário da Lixa!). Imagine-se que nem os patrões aceitaram que os seus estropiados colaboradores fossem esmifrados para que o produto do açambarcamento grosseiro e noctívago lhes fosse entregue à luz do dia. Imaginem que aquilo que se apelidava de salário mínimo, considerado essencial para a sobrevivência com dignidade de quem labora, era amputado de 7%, sem honra nem vergonha… O rol de desgraças e impolutas decisões, tornarão Sócrates quase venerável e Salazar jogador da equipa da Madre Teresa de Calcutá ( com o devido respeito e distância pelos actos de uns e outros). A República nem o feriado de 5 de Outubro consegue manter, e vai perdendo a tanga. Privatizadas as joias da coroa não poderão ser vendidas de novo. O Governo/ Ministro das Finanças, reduz o poder de compra do “formigueiro” e quer que mantenha o consumo para ensacar impostos sobre o dinheiro antecipadamente confiscado… Embaratece as horas extraordinárias para criar emprego (!?). Coloca os desempregados a trabalhar praticamente de borla ( para criar emprego !?). .. Tudo para nosso bem.
Prezado Editor, andam as vacas magras e os escribas sem tinta! 
E não é assim tão mau que às vezes se escreva um pouco menos… se escrevessem mais, os leitores haveriam de trazer a estas páginas de consenso e amizade, aquelas palavras cabeludas que a minha educação dominicana não permite certos pensamentos, palavras e asneiras!
Para terminar:
Um pensamento negativo: Não pensem em novenas à Sª de Fátima. Se ela quisesse patrocinar as finanças deste País e equilibrar o Orçamento do Estado, já teria caído um chaparro ou uma oliveira, árvore sagrada, de tamanho adequado, na carola de alguns ministros das finanças e chefes do governo… 
Dois pensamentos positivos: (1) Mantenhamos os governos meus irmãos, tanto quanto possível, porque a seguir voltamos ao ping-pong (caiem os anteriores entram estes e voltamos aos mesmos…) e temos que empregar estes governantes e todos os que se lhes seguirem nas Empresas Públicas, Associações, Institutos e Fundações… sem esquecer as suas estimáveis famílias e amizades. E não há euros que aguentem! 
(2) Espero que, como eu, cheguem a velhos saudáveis e alegres, mesmo que o “ o bem público”  fecunde as vossas reformas… !
P.S.- Facto grave, para me solidarizar com os que sofrem: faltam as vitórias ao Sporting! Quem teria sido o mal intencionado que petrificou os leões em frente ao Parlamento, em vez de enviar os do Jardim Zoológico para dentro do chamado hemiciclo… Seria a melhor forma de reduzir a deputação geral…
F.r. da Área Benta

domingo, 7 de outubro de 2012

ONTEM

Ontem, quando trocávamos abraços em mais um encontro anual, este ano com outro figurino, questionava-me um amigo: Então o blog? Está moribundo, respondi eu. Não senhor, diz-me ele, eu visito-o todos os dias, pois aquele espaço, apesar de não ter trazido novidades, é um salutar local de encontro, que me dispõe bem e que me abre a janela da saudade, de outros tempos.
Sei que são muitos a pensar assim e disso também me deram conta, mas falta a este espaço e dinamismo de outros tempos, a vontade, a paixão e a dedicação. Eu cá vou matendo a janela (e a porta) sempre aberta, a ver se algo chega de novo. Espero que todos aqueles que ontem me falaram do blog, ajudem a mantê-lo vivo.
Fico à espera e deixo o meu abraço.
Nelson

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

ANIVERSÁRIOS EM OUTUBRO

Durante este mês celebram o seu aniversário os
nossos Amigos
NOME                                                                 Dia
  Elias Dias da Silva                                                       4
  António Alves Farinha                                                  6
  Víctor Manuel de Jesus Frazão                                       8
  Ricardo Quadrado Vicente                                           12
  Francisco da Silva António                                          12
  António Pereira da Costa                                             13
  Álvaro Amaral Milagre                                                 15
  Carlos Manuel Morais Pina                                            17
  Leonel Castelão Ribeiro                                               18
  Manuel Evangelista Costa Pinho                                     26
  Manuel Gomes Pereira                                                29
  Jorge Fernandes Lourenço                                          31
Para todos os nossos parabéns e os votos de um futuro cheio de 
Bençãos de Deus.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

PROJECTO COMPLEXO ESCOLAR FREI JOÃO DOMINGOS (CEFJoD)



PROJECTO COMPLEXO ESCOLAR FREI JOÃO DOMINGOS (CEFJoD)
  
SIGLAS E ABREVIATURAS

CEFJoD              Complexo Escolar Frei Joao Domingos
CRA                    Constituição da República de Angola
DUDH                Declaração Universal dos Direitos Humanos
IBEP                    Inquérito Sobre Bem Estar da População
ICRA                   Instituto de Ciências Religiosas de Angola
MED                   Ministério da Educação


 DESCRIÇÃO DO PROJECTO

A ORDEM DOS PREGADORES
 Os frades pregadores, mais conhecidos por irmãos dominicanos, estão hoje dispersos por mais de 100 países e são cerca de 6000 em todo o mundo.

À imitação de S. Domingos e procurando ser- fiéis à sua intuição fundamental, dedicam-se essencialmente à pregação, sob muitas e variadas formas, orais e escritas. Vivem em comunidades cujo ritmo de vida é fundamentalmente cadenciado pela celebração da liturgia - Eucaristia e Ofício Divino - e pela dedicação assídua ao estudo, comprometendo-se a viver em todas as circunstâncias os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência. O seu nascimento oficial, como corpo organizado data de 22 de Dezembro de 1216.  Logo desde o inicio, os dominicanos perceberam que só um frade intelectualmente preparado é capaz de servir a Igreja e o povo de Deus nas sociedades em que se encontra. Por isso, a aplicação assídua ao estudo é para os dominicanos caminho de encontro com Cristo-Verdade (contemplação) e também exigência de amor aos irmãos e irmãs. Estudamos para podermos ser úteis aos nossos irmãos e irmãs no mundo de hoje, sobretudo aos mais necessitados de pão e de amor.
Este aspecto importante da identidade da Ordem foi concretizado de diversas maneiras, consoante as especificidades dos lugares. Assim, temos variadissímos exemplos do contributo da Ordem para o estudo rigoroso e  competente, sendo São Tomás de Aquino, Lacordaire, Padre Lagranje e o frei Timothy Radcliffe alguns dos muitos dominicanos que   contribuiram para que o estudo estivesse ao serviço do bem da humanidade.


VICARIATO DE ANGOLA
Os padres Dominicanos chegaram à Angola, vindos de Portugal, em Novembro 1982, num grupo liderado pelo frei João Domingos, tendo-se instalado nessa altura, na Missão do Waku-Kungo, diocese do Sumbe, na provincia do Kwanza-Sul. Desde aquela altura os padres Dominicanos dedicaram-se ao anúncio do Evangelho e ao ensino, trabalhando como professores na escola do II e III níveis do Waku-Kungo. Em 1987, respondendo ao pedido dos bispos da CEAST, os padres Dominicanos vieram para Luanda onde deram início aos trabalhos para a fundação do curso ICRA-Educadores Sociais e o cuidado pastoral dos fiéis da Igreja do Carmo.
Uma vez instalados em Luanda, o trabalho dos padres Dominicanos ganhou cada vez mais destaque, sobretudo com o prestígio do curso de Educadores Sociais, no ICRA; o apostolado da Média, nos primeiros anos de restauração da Rádio Ecclesia; as missas televisivas em que o frei João Domingos tocou milhões de pessoas com as suas homilias e o Mosaiko através do qual os Dominicanos ajudam os angolanos a serem bons cidadãos, conjugando sempre o binômio direito - dever.
Actualmente, os dominicanos estão em 3 comunidades espalhadas por Angola

 A FIGURA DO FREI JOÃO DOMINGOS

O frei João Domingos (1933 – 2010) foi/é uma figura incontornável da boa presença portuguesa em Angola onde, desde 1982, viveu e realizou uma obra notável. Angola, em plena guerra civil, foi para ele uma opção definitiva.

Em 1981, deslocou-se a Angola para estudar as condições de uma futura e inédita presença dominicana masculina. Com Frei José Nunes e Frei Gil Filipe foi, em 1982, para Waku-Kungo (Diocese de Novo Redondo, ou Sumbe). Este grupo foi fervorosamente acolhido pelo seu Bispo de então, D. Zacarias Kamuenho, mais tarde, Arcebispo de Lubango a quem foi atribuído o Prémio Sakharov. A formação dos cristãos e sobretudo dos animadores das comunidades, na promoção da justiça, na partilha dos bens e na reconciliação entre angolanos, tornou-se a grande prioridade na sua missão.

Esse êxito evangelizador fez com que os padres Dominicanos fossem convocados pelos Bispos da CEAST, para uma presença mais alargada em Angola. Coube ao Frei João Domingos, em 1987, fundar a comunidade de S. Tomás de Aquino, na Paróquia de Nª Sª do Carmo em Luanda que se transformou um foco de novas iniciativas.
Para além da missão de Pároco, foi-lhe confiada a direcção do Instituto de Ciências Religiosas de Angola (ICRA). Reconhecendo em Frei João Domingos a “graça da pregação” – sem ela, a eloquência não passa de propaganda – os Bispos de Angola não lhe pediram, apenas, que pregasse aos outros e fosse professor de Teologia no Seminário Maior de Luanda, mas também, por várias vezes, quiseram que fosse ele o seu pregador.

Frei João Domingos Criou ainda, no ICRA, um segundo curso, o de Educadores Sociais; lançou depois, o Instituto Superior João Paulo II com um curso universitário de Serviço Social; Colaborou na criação do Centro Cultural Mosaiko, empreendimento dos padres Dominicanos de Angola – na diversidade dos seus povos e culturas – que se tem distinguido por um trabalho de formação e organização, em todo o país, de grupos para a defesa dos Direitos Humanos.

Na sua intervenção multifacetada, estavam sempre unidas a dimensão espiritual e a reflexão sobre a complexidade da realidade angolana, nas suas diferentes fases dos últimos trinta anos. Por isso mesmo, a sua voz tornou-se cada vez mais escutada e respeitada, não apenas nos meios eclesiais, mas também a nível da sociedade civil. Com a celebração Eucarística televisiva – a que Frei João Domingos presidia nos segundos Domingos de cada mês – as suas intervenções acutilantes eram comentadas em toda a Angola.

Os seres humanos não nascem feitos. A vida do Frei João Domingos passou por várias fases, por várias conversões. A morte levou-o quando já tinha dado tudo a Deus e ao povo angolano.


O CONTEXTO DA EDUCAÇÃO EM ANGOLA E MOTIVOS PARA A CRIAÇÃO DO COMPLEXO ESCOLAR FREI JOÃO DOMINGOS
Angola, com uma superfície total de 1 246 700 km2, é rica em recursos naturais (nomeadamente petróleo, gás, diamantes, ferro, fosfato, cobre, ouro e urânio), oferecendo também condições muito favoráveis para a agricultura (pelo clima, abundância de terras férteis e de água); o mar e os rios oferecem várias espécies de peixe e outros recursos.

Não há valores fiáveis para a população total, mas tendo em conta que foram registados pouco mais de 8 milhões de eleitores para as últimas eleições (2008), estima-se que a população angolana se situe entre os 16 e os 18 milhões de habitantes. É uma população muito jovem (estima-se que entre 50 e 60% terá menos de 18 anos), sendo a proporção estimada entre homens e mulheres de 86 homens para 100 mulheres e uma esperança de vida de cerca de 45 anos .
Segundo o IBEP(Inquérito sobre o bem-estar da População) - usando como linha de pobreza o rendimento médio mensal de 4.793 kz por pessoa - 36,6 % da população é pobre. A diferença entre a zona rural e a zona urbana é enorme, sendo três vezes maior nas zonas rurais (18,7% de pobres na zona urbana e 58,3% na zona rural). Embora fosse interessante explorar em que medida o valor de 4.793 kz garante um nível de consumo para viver sem privações excessivas, outros indicadores publicados no mesmo estudo mostram, para além da questão dos rendimentos das famílias, o baixo nível de vida da população angolana.
As oportunidades para as mulheres estão longe de ser iguais às dos homens – tanto por razões culturais como por falta de uma política consequente de promoção da mulher.  A taxa líquida de frequência ao ensino secundário (proporção de crianças dos 12 aos 17 anos no ensino secundário) é de 20,6% ao nível nacional, sendo 31,7% zona urbana e 6,6% zona rural. Dentro destas estatísticas, o índice de desigualdade é 0.85 a nível nacional, sendo 0.88 na zona urbana e 0.27 na zona rural, pelo que só uma percentagem muito baixa de crianças na zona rural chega até à escola secundária e destas, muito poucas são do sexo feminino). Daqui resulta que a proporção de mulheres entre os 15 e 24 anos que sabe ler e escrever é 67.8% a nível nacional, sendo 83.8% na zona urbana e 40.5% na zona rural . Apesar do númros de novas escolas construídas nos dez anos de paz, ainda faltam muitas escolas, se comparadas com o número de crianças fora do sistema de ensino.
Tendo em conta esta realidade, o CEFJoD nasce como contributo dos padres Dominicanos de Angola na melhoria do Direito à Educação (DUDH, Art 26, 1, 2 e 3 ) e para a formação do homem e da mulher angolano/a, tendo por isso, como fundamento o seguinte:

VISÃO
VERITAS LIBERATE VOBIS
MISSÃO
Desenvolver Angola, formando homens e mulheres com valores e competentes 
OBJECTIVO GERAL
Contribuir para  a formação integral do/a Angolano/a através de um ensino de qualidade e acessível.
OBJECTIVO ESPECIFICO
·        Contribuir para a melhoria do acesso à educação para as crianças de Kambamba II e bairros circunvizinhos;
·        Contribuir para o aumento do número de crianças dentro do sistema normal de ensino;
·        Contribuir para o aumento de uma cultura de excelência, fazendo do complexo um lugar de educação, reflexão, investigação,debate e publicação;
·        Contribuir para que a educação vá alem da instrução, através da inclusão de disciplinas humanas e de actividades extra-escolares que valorizem o potencial humano e intelectual de todos os integrantes do processo educativo.
 VALORES E PRINCIPIOS DO CEFJoD
·        Excelência
·        Rigor
·        Verdade
·        Mérito
·        Competência
·        Respeito pela diferença
·        Protecção do meio ambiente

PRINCIPAIS ACÇÕES DO CEFJoD
Oferecer aos alunos um ensino integrado e de qualidade, preconizando, para o efeito um  curriculum de acordo com as normas pedagógicas do Ministerio da Educação (MED) e enriquecido pelos valores da tradição da Ordem dos Pregadores, defendidos pelo pensamento do frei João Domingos.
Neste sentido, para além dos cursos exigidos pelo MED, o CEFJoD  propõe-se a administrar os cursos de informática , Inglês, Introdução à economia, Introdução aos Direitos Humanos, Religião, Música…   
Organizar e oferecer cursos de formação humano-profissional (pastelaria, decoração, relações humanas,..);
Organizar cursos de verão, com conferências sobre temáticas que valorizem o ensino e a educação, debates em teologia, debates em filosofia, tudo em linha com a tradição dos padres Dominicanos no Mundo.

 BENEFICIÁRIOS
Os principais beneficiários do projecto são:
a)     Crianças, adolescentes e jovens da comunidade do Kambamba II e arredores.  
b)    Adultos das áreas em referência que nunca tiveram acesso ao ensino;
c)      Pais e encarregados de educação, bem como associações que servindo-se tanto das estruturas, como da actividade dos padres Dominicanos recorrerão ao CEFJoD
d)    O MED que com o projecto ganha mais uma escola, assim como o Governo Provincial de Luanda que ganha mais um parceiro disposto a contribuir para o acesso e melhoria da educação dos angolano/as

RESULTADOS ESPERADOS
·  Diminuição do número de crianças fora do sistema de ensino na zona de Kambamba II e arredores,
·  Crianças do complexo a ler e a escrever correctamente nas primeiras classes do ensino,
·  Aluno/as do complexo a comunicar em inglês, pelo menos até ao nivel intermediate;
·  Aluno/as do complexo a dominar a informática, na óptica do utilizador;
·  Alunos/as  a interagir entre si, em espirito de familia, dentro e fora da escola;
·  Alfabetizandos a   ler e a comunicar suficientemente por escrito;
·  CEFJoD considerada uma das melhores escolas de Luanda pela sua excelência e qualidade.

MAIS VALIAS DO PROJECTO  

O CEFJoD é um projecto com as seguintes mais valias:
·        Esforço conjunto entre a comunidade da Kambamba II e os padres Dominicanos. Na verdade, desde o inicio, a comunidade de Kambamba II mostrou-se interessada no projecto, tendo sido ela a identificar a área em que se prevê a construção dos edifícios;
·        A longa tradição dominicana de trabalho na área da formação humana. As experiências adquiridas nos trabalhos de ensino e gestão no  ICRA, ISUP, Mosaiko, Radio Ecclesia são experiências que beneficiarão o CEFJoD.
·        A rede de escolas e universidades pertencentes aos padres Dominicanos ou geridos por eles, podendo os padres em Angola fazer recurso a este vasto capital;
·        A possibilidade de trabalho coordenado em família dominicana angolana.  Além dos padres, existem as irmãs dominicanas e os leigos dominicanos com os quais os padres colaboram. Espera-se assim, que o CEFJoD seja um lugar de formação de excelência, na linha da tradição dominicana.
·        A facilidade em organizar intercâmbios com crianças de outras escolas dominicanas em Angola, África e/ou outras partes do Mundo;
·        A inquestionável figura de Frei João Domingos, cujo trabalho e empenho por Angola são por todos reconhecidos e pode servir de estímulo aos alunos, aos professores, gestores e todos os intervenientes no processo educativo no CEFJoD.

SUSTENTABILIDADE DO PROJECTO
ü A sustentabilidade do projecto consiste no facto de ele poder contar com a participação do Estado, através do enquadramento de uma importante parte do quando docente, tornando o CEFJoD num estabelecimento de ensino acessível para todos, inclusive para as familias de baixa renda;
ü Perante o estado e à luz da lei, o CEFJoD  concorre à obtenção do Estatuto de  escola comparticipada;
ü O CEFJoD beneficia da experiência dos frades na gestão de outros projectos na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no ICRA – Instituto de Ciências Religiosas de Angola,no Mosaiko e na Igreja de Nossa Senhora da Assunção do Waku-Kungo.
RISCOS
Não existem riscos particulares ligados ao Projecto. Os únicos riscos possíveis só podem estar ligados  a catástrofes naturais. O rigor e a transparência na gestão podem ser confirmados através de visitas a trabalhos realizados pelos padres dominicanos ao longo dos 30 anos de presença em Angola.