terça-feira, 28 de agosto de 2007

UM GRITO DE LIBERDADE


Acabo de virar a última página do livro de Zita Seabra, Foi Assim. Apesar de poucas novas me trazer sobre o que é, era ou pretendia ser o comunismo, e particularmente o soviético, não deixa de ser um livro motivador, apaixonante até, na forma como revela a revolta serena de uma jovem a quem aos dezassete anos mostraram um sonho e esconderam a realidade. Quando podia encetar uma vivência juvenil feliz e tranquila, Zita Seabra corre em busca de um ideal político e de um modelo de sociedade sem assimetrias ou desigualdades. Não olha a meios e, com a compreensão da família, torna-se militante comunista na clandestinidade, porque acreditava que só assim podia pugnar pela liberdade do seu país. Durante sete longos e penosos anos, vive escondida e pobre, mas feliz, porque a motivava uma fé inquebrantável num futuro que podia acontecer a cada dia que passava. Durante sete anos de clandestinidade, escolheu viver cercada pelos medos de um regime totalitário que prendia, torturava e deportava os que se lhe opunham. Os relatos que ouvia, tanto sobre as teorias da igualdade de classes que lhe pregavam, como da resistência heróica dos seus camaradas de militância, mais a motivavam a prosseguir a sua luta pela conquista daquilo que ela acreditava ser o único modelo de perfeição para a vivência humana - o comunismo. Foi nesta luta insana que esbanjou os anos da sua juventude, para poder saborear a felicidade e a alegria de um 25 de Abril de 1974. Já na vigência da democracia, intensifica a sua luta e o seu trabalho pelo sonho que sempre lhe mostraram. Cedo se apercebe que as regras que o seu partido abraçava, traíam os valores autênticos da liberdade, mas continua acreditar. As primeiras viagens aos países comunistas, o contacto com as realidades neles vividas, começam a fazer desmoronar os seus castelos de sonhos. Ela, que combatia regimes de partido único, que abominava holocaustos, que repudiava Auschwitz, apercebe-se que era essa a fórmula desumana e anti-democrática que vigorava nos países comunistas e pro-soviéticos. Afinal ali, o comunismo tinha sido imposto pela força das armas, pela negação da liberdade de ser, de estar e de pensar!... Ali houve holocaustos, campos de concentração e de trabalhos forçados!... Ali teve a certeza que O Arquipélago de Gulag, de Alexander Soljenitsin não era ficção, mas sim a denúncia da existência, não de um laboratório ideológico ou campo correctivo, mas de um local de holocausto, de horror e extermínio mortal. Zita Seabra tomou contacto com as realidades que lhe esconderam e nem foi preciso que o regime totalitário da URSS desaparecesse às mãos da perestroika para, como Álvaro Veiga de Oliveira, concluir que “o comunismo foi o maior embuste do século XX”.
Virada a última página de Foi Assim, ficou-me a coragem da autora, bem evidenciada tanto no seu percurso político de militante comunista, como no reconhecimento da impraticabilidade das teorias de Marx, Engels, Staline, Trotsky ou Lenine. Sobrou a denúncia daquilo que foi o seu calvário comunista, quando acreditou na impraticabilidade da colectivização dos meios de produção e da abolição da propriedade privada como vias para o socialismo e para uma sociedade igualitária. Percebeu por que razão Cunhal nunca quis eleições e sempre defendeu a força das armas e o levantamento popular, como via única para a conquista do poder e para o socialismo. Tomou consciência que não foi por este modelo político que sacrificou parte da sua vida e a sua juventude. Foi expulsa do partido e nesse dia terá conquistado, verdadeiramente, a sua liberdade. Pelo que me ficou da leitura do seu livro, ele será, a meu ver, um grito de liberdade.
Nelson Veiga

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

SEMANA DE VERÃO DE TEOLOGIA

Promovida pelo Instituto S. Tomás de Aquino, decorre de hoje (27) e até sexta-feira (31) , na Casa das Irmãs Dominicanas em Fátima, a Semana de Verão de Teologia.
Dado que serão conferencistas "alguns dos nossos", aqui fica para conhecimento o programa.
Tema Geral: A vida e a restante vida
Dia 27 - A vida e a morte na Bíblia - por Francolino Gonçalves
Dia 28 - Quando começam a vida e a pessoa humana - Miguel Oliveira da Silva
O que é uma morte boa - Mateus Peres
Dia 29 - Ressurreição dos mortos e dos vivos - Bento Domingues
Dia 30 - O mostrado e o escondido: o conhecimento do inconsciente - Emídio Eduardo Salgueiro
Dia 31 - Terrorismo: motivações consequências e relação com o fenómeno religioso - Ângelo Correia

domingo, 5 de agosto de 2007

FÉRIAS, TEMPO DE DESCANSO E REFLEXÃO

Meus caros:
Este silêncio é a evidência das férias. Tudo calmo e sossegado!... Mas é preciso descansar o corpo e desanuviar o espírito, para depois todos aperecermos com novas ideias e outras motivações. Reparo que, mesmo assim, o blog tem tido umas espreitadelas, num sinal claro que ele é motivo de preocupação, se não para muitos, ao menos para alguns. Até o Imeldo e o Pancrácio "deram de frosques"! O primeiro, talvez tenha optado por algum retiro espiritual que lhe arranque o sarro da alma, enquanto o segundo deve dormitar na fila de uma qualquer Conservatória, uma vez que vive apegado à teimosia de alterar o nome.
Quando regressardes, dai sinais, que eu estarei ao vosso dispôr.
Um abraço
Nelson

terça-feira, 17 de julho de 2007

"A concórdia
é a união dos corações,
não a das opiniões"
José Manuel dos Santos

segunda-feira, 16 de julho de 2007

UM SÍTIO

Contrariando as más línguas, que afirmam ser a política uma maneira de subir na vida, vimos em directo, como o Dr. Marques Mendes começou ontem a descer da cadeira do poder do PSD.
Noutro grande plano, assistimos à subida do primeiro degrau da escalada que guindará o Dr. António Costa a futuro sucessor de José Sócrates.
Plano de fundo: 62% do povo de Lisboa absteve-se.
( Informações obtidas junto de fontes bem informadas)
A. Alexandrino

«Um sítio [...]: isto é – uma língua de terra onde construímos as nossas casas e plantamos os nossos trigos.O nosso sítio é Portugal. Não é propriamente uma nação, é um sítio. Já não achamos mau!A Lapónia nem um sítio é: apenas uma dispersão de cabanas, na vaga extensão da neve. Podemos pelo menos desdenhar a Lapónia. A miserável Lapónia!Como a nossa organização é mais rica, a nossa raça mais digna! Nós ao menos temos um sítio!»Eça de Queirós

domingo, 15 de julho de 2007

DIÁRIO DE JOSÉ OLIVEIRA




Como sei que tenho uma missão a cumprir, se o Nelson ainda se não deixou apanhar pela iniquidade destes tempos, aqui verto, esparsamente algumas gotas do meu diário. Elas são o meu contributo para a conversão, escarmento e meditação de alguns dos nossos que andam desencaminhados e arredios. (Nomeadamente Alexandrino, Celestino, Vaz, Moreno, Neves de Carvalho, Jaime, Eduardo Bento, Vieira e, infelizmente, etc). Salva-se, ao que me dizem, o Costa que eu gostaria de conhecer que, me informam, dá catequese numa paróquia de Odivelas).

12 de Julho

Como é bom acordar e saber que o ruído da campanha eleitoral para as eleições de Lisboa se vai esbatendo. Amanhã acabou o circo. Ao menos que os comunistas e adjacentes levem uma vez mais uma lição. O bom povo Lisboeta saberá, como até hoje, votar naqueles que respeitam a nossa história e a Igreja. Mas pergunto eu: Para que servem as eleições?

15 de Julho

Hoje, com a minha esposa, participei na celebração da santa eucaristia na Igreja de S. Domingos. O celebrante fez uma interessante reflexão sobre “Quem é o nosso próximo”, tema da liturgia deste domingo.
Mas não é que no final o sacerdote me interpela porque eu, durante a missa, rezei o terço? ( Oh ministro do Senhor, como te atreves a apostrofar quem devotamente pratica a devoção mariana por excelência!) A mim não me apanhas mais em missas celebradas por ti, nem das tuas mãos profanas receberei o corpo do Senhor. Jamais!
Vim para casa e retomei a leitura das Memórias da Irmã Lúcia (II). Daqui retemperei forças para resistir ao modernismo troglodita e petrificado de certos sacerdotes. A mim não me inoculam com o vírus da descrença. A mim não me inoculam!

Uma sugestão

Desculpai que me dirija a V. mas, dado serem os mais lidos e comentados bloguistas do momento e terem estado no Convento de Fátima.
O Criar Laços tem sido uma fonte de boas recordações e de momentos vividos com imagens que fazem parte de nós. Tudo isso tem sido motivo de agradável convívio epistolar e de descontracção. Porque não lançarem a ideia (aliás como já foi feita pelo Fernando Vaz em relação à sua França) de uma estadia de 2 ou 3 dias no Convento dos Dominicanos de Fátima e acompanhar a vida Conventual com alguns passeios, como se fazia às 5ªs.feiras e domingo de tarde?. Estou certo que o Prior do Convento vai facilitar o alojamento e estadia. O transporte pode ser feito no Caminho de Ferro.
Aqui vos deixo a sugestão, na esperança de que as vossas energias possam ser colocadas ao serviço deste reencontro.
Saudações do
J:Moreno.