sábado, 1 de abril de 2023

PINHEIROS, OLIVEIRAS E CATANHEIROS

 Companheiros,

Aqui venho eu ao vosso encontro para um pequeno ponto de situação em relação a esta tentativa do possível retrato geracional dos passantes por Aldeia Nova, todos pinheiros, oliveiras ou castanheiros nas suas raízes e nos seus frutos!

Este tem vindo a revelar-se um desafio muito estimulante na recuperação de algumas memórias, mas também nas pequenas descobertas que se vão fazendo e outras tantas perplexidades que vão surgindo!

O lema que me norteia é que o facto de ser um trabalho individual, não é necessariamente solitário. Nesse sentido, beneficiei da solidariedade de alguns dos nossos companheiros mais próximos de Lisboa, não apenas num lauto almoço preparatório, como aqui fica documentado para memória futura… como nos exercícios mais intelectuais que se seguiram e a quem tive oportunidade de fazer um ponto de situação relativamente ao mesmo.

Tenciono, aliás, em finais de Maio deslocar-me ao Porto para evento idêntico, pelo que, desde já, ficam todos convidados, bastando contactar-me diretamente ou através do blogue.

Mas para quem, não tendo oportunidade de participar nestes encontros, mas tiver curiosidade em algum ponto mais ou me queira dar alguma sugestão, aqui ficam os meus contactos:

Tlm.: 965102540

Email: manuelbmendes51@gmail.com

Entretanto, deixo-vos aqui o apelo para que aqueles que ainda não responderam ao questionário que vos enviei o façam logo que possível.

Finalmente, e como registo de mera curiosidade, deixo-vos aqui o enxoval que nos era requerido.

Quem se lembra?

 



sexta-feira, 31 de março de 2023

ANIVERSARIANTES

 

Aniversários em Abril

Durante este mês celebram o seu aniversário os nossos Amigos

NOME                                                                 Dia

  Álvaro Antunes Rodrigues                                              3

  Joaquim Silva Moreno                                                    7

  Dinis dos Santos Rodrigues                                             7

  Joaquim Ambrósio Vieira Ribeiro                                        8

  Manuel Joaquim da Silva Leopoldo                                     8

  Artur da Silva Cristóvão                                                  9

  Eduardo Jorge M. Carmo                                               13

  Angelo Costa Carvalho                                                 14

  António Augusto Brízido                                                21

  José Agostinho Rodrigues                                             30

Para todos os nossos parabéns e os votos de um futuro cheio de Bençãos de Deus.

segunda-feira, 6 de março de 2023

CRISTIANISMO, CLERO E SEXUALIDADE - por Francisco Soares Torres

 1.

Cristianismo, clero, sexualidade.

É minha intenção, como antigo seminarista, fazer algumas considerações.

Não com objetivo de deitar alguma acha para fogueira, pois não a tenho. Penso de utilidade referir o contexto social que "exigia" a entrada para seminários : miúdos marcados por famílias de pobreza, que tinham como alternativa possível, uma formação "mais elevada". Daí advêm enormes consequências.

Com bom senso da minha parte, terei ocasião de fazer posteriormente essas considerações. Com responsabilidade, sem acusação de ninguém...chega o que, infelizmente, já sabemos. A seguir, pois assunto tal exige-me reflexão bem ponderada.


2. 

...Cristo, Igreja, Seminários ... graça ou pecado...sexo afinal...

(de...aos peregrinos interessados, importa ler as duas entradas anteriores <).

Como peregrinos, vinham quase descalços de todo o país, principalmente de Minho, Trás-os-Montes, Beiras, onde a riqueza dos pobres era maior.

... faziam quilómetros para chegarem a transporte, com mala de cartão a tiracolo. Assim eram os meus irmãos de destino possível, ante outras possibilidades.

A minha estorieta perdia-se na sua viagem, atribulada mas juvenilmente divertida, para alguns pelo menos.

Chegavam quase todos a Caxarias , onde por costume, a carrinha do seminário os acolhia. Mas nem sempre. Sem GPS futuro, ou bússola, traziam-se pela floresta de pinhais, a pé.

Chegar ao " Casarão, Seminário ", era ato, não só de resistência, audácia de descobridor, mas sorte de escolha.

Os mais novos, de primeira vez, normalmente lixavam-se ...isto porque, desde arruma o baú de lata e esquadria, vareta de pau, no sótão, e por lá deixar o enxoval, em partida para acólitos da Santa Igreja, até, com ignorância, chegar à camarata e escolher a sítio -cama, mais confortável, era obra. Ficar exatamente em frente da porta de acesso, era corrente de ar pela certa. Com mais um ano de experiência, aprendia-se onde estacionar, onde gozar com muito mínimo e privacidade....esta era para conversa noturna, desfilar de memórias/saudades? de casa.... daí se traziam traumas vários, nos" calos das mãos manifestos : " Mostra lá as palmas das mãos meu rapaz! ...calos grossos e expostos de trabalho de enxada outros de dureza...

Escolhida que era a cama, na imensidão da camarata, havia que criar rotina... petromax meia hora antes, levantar com dito latinório de bater de palmas militar, lavar rápido de trombil dentário e ala para missa ... estremunhada...

Neste deserto sem mapa, aparecia o que era normal aparecer: Hormonas mais tarde normais, mas em ignorância... que dava jeito castrar....mas nada feito...elas aí estavam em noites longas... surpreendiam-nos pela humidade da manhã, distópicas.

A sexualidade oficial começava. De ignorância feita, poluções noturnas ou ejaculações conscientes, mas de origem estranha, fecundavam-se com espigar misto de pecado...no confessionário, com o orientador espiritual obrigatório, lá tínhamos de confessar ,debitar: então meu rapaz, masturbas-te? Claro que sim, respondia o outro lado do confessionário, todo encolhido...e quantas vezes? Muitas, respondia -se, trocando três admitidas por oitenta realizadas.

...esse grande pecado que era em pensamento, actos, omissão,...um crime moral contra superiores , padre, hierarquia, Deus afinal

...começava a estruturar essa coisa imunda que era a sexualidade...e assim, em constante fazer igual e mentir por medo, hábito, omissão....se ia discorrendo o tempo de pré-dedicatória ao pecado, tentação, sacanice, eruditas pulsões...

Todos aqueles que vinham de tempos sombrios, de escuridão vária, não avaliavam o cliente confuso do seu estar, acabando feitos em Padres, Vigários, Reitores, Abades e Priores... quiçá Bispos e Cardeais e até Papas... e a menos que fossem castrados, condenados a ereções pecaminosas. Donde a excitação? Onde ou com quem satisfazê-las?

... após Vaticano II, abertura houve para muitos de nós se avaliarem. Sair ou ficar? Saindo, saíamos da norma, da tentação do pecado... ficando, conscientemente aprendia-se a arte da sublimação ou... caímos na forte queda da perversão...e por aí muitos ficaram, dos com a sua desgraça, imunes a consciência e afazeres pecaminoso e traumáticos. A esses:. Deus ajude e sociedade julgue, puna, sem encobrimento, de pecado e hipocrisia...

... e mais houvera se, para tanto haver não fora curta a vida....

...um viajante destes temerosos mates...

F. Soares Torres

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

ENTRE O CARNAVAL E AS CINZAS

 

ENTRE O CARNAVAL E AS CINZAS

Frei Bento Domingues, O.P.

 

1. O Jornal Público, no Domingo passado, foi à Missa, em Lisboa e no Porto[1], e ficou surpreendido por não encontrar os respectivos bispos a presidir à celebração. Na Sé de Lisboa, encontrou um jovem padre, José André, capelão do Hospital de Santa Maria e do Hospital de São Francisco Xavier que, a propósito dos abusos sexuais na Igreja, citou uma conversa com o pároco da Sé: «olha Zé, aguentar nós aguentamos, mas nós não fomos feitos para aguentar, fomos feitos para sermos felizes. Aguentar ciclos viciosos em que nos torturamos mutuamente não nos conduz à felicidade».

Baltazar Martins Jesuíno tem realçado, de várias maneiras, a educação para a felicidade[2]. São Tomás de Aquino antecede a sua ética teológica de um tratado de 5 questões sobre a felicidade, princípio e fim do agir humano[3]. Distancia-se dos seus contemporâneos que colocam essa questão apenas no fim e parece encontrar-se com Aristóteles que fala da felicidade no primeiro e no último livro da Ética, embora se distancie dele na definição que dá de felicidade. Longe de se situar sob o signo da obrigação, como fazia a imensa maioria dos outros teólogos moralistas, a de Tomás é colocada sob a conquista da felicidade. Longe de ser regida pelo imperativo da obediência a uma lei exterior, não conhece outra lei a não ser a do amor. O Mestre Tomás vai ao ponto de dizer que uma forma de agir que não fosse mais do que uma obediência à lei, faltava-lhe uma dimensão essencial à virtude, que é para a pessoa ser atraída pelo bem, por ele mesmo, e não por ser coagida. É uma Moral da liberdade colocada inteiramente sob o signo da realização evangélica do sujeito[4]. O que há de mais importante na lei do Novo Testamento, e na qual consiste toda a sua força, é a graça do Espírito Santo acolhida pela fé em Cristo. Tudo o resto é apenas para a secundar. É dada ao íntimo da pessoa, só secundariamente é escrita. Mais, sem a graça do Espírito Santo – lei do amor e da liberdade – a própria letra dos Evangelhos, em vez de salvar, mata[5].

2. Por causa de uma antropologia que não respeita a complexidade do ser humano, é fácil cair no angelismo e, como disse Pascal, o ser humano não é anjo nem besta, mas quem quer ser anjo, acaba por ser uma besta.

Seria bom não separar o carnaval e as cinzas, isto é, o riso e as exigências da conversão, segundo o Evangelho, que consiste no reencontro com a alegria perdida.

Conta-se que, quando Santa Teresa d’Ávila, andava de mosteiro em mosteiro para a reforma do Carmelo, era muito conhecida pela sua austeridade. Uma senhora rica quis pôr à prova essa austeridade, convidando-a para jantar. O prato era perdiz e ela, esfomeada, regalou-se. Os convivas perguntavam, onde está a Teresa dos famosos jejuns? Resposta pronta: quando é jejum é jejum, quando é perdiz é perdiz. O humor vive bem com as exigências da santidade. Um santo triste é um triste santo.

Nos anos 70, do século passado, várias pessoas que frequentaram o Curso de Teologia de Verão do Instituto de S. Tomás de Aquino (ISTA), em Fátima, testemunham a novidade das aulas de Teologia Moral do Frei Mateus Peres, O.P. Pela primeira vez ouviram ensinar que a vida moral não podia negar o prazer dos sentidos, pelo contrário, afirmar a importância que eles têm na vida humana, na vida moral: o prazer de olhar a beleza, de sentir bons aromas, ter prazer na boa comida, ouvir boa música, sentir os prazeres do tacto, etc.

Mateus Peres investigou e ensinou a Ética teológica do seu mestre medieval, Tomás d’Aquino, em confronto com a modernidade. Este explicou, de forma paciente e minuciosa, toda a complexidade do ser humano, a sua unidade e a sua plasticidade. Existe para crescer e desabrochar pela educação, pela cultura, pela solidariedade e pela graça e comunhão com Deus e com os outros. É igualmente solicitado por uma multiplicidade de pulsões ou desejos, dotado de uma liberdade defectível. Por isso, capaz de se autodestruir no plano espiritual, ético e divino[6].

O ser humano não está feito, vai-se fazendo, não é, vai sendo. Se não se tivesse deformado, viveria a sua sexualidade com o maior prazer em toda a sua perfeição erótica e espiritual[7]. Não pode viver sem prazer partilhado. Atraiçoa-se se a busca do seu prazer é vivida à custa do sofrimento dos outros.

Uma ética, uma moral que desconfia, nega ou julga pecaminoso a autenticidade das sensações humanas é desumana. As leis e os preceitos, se não promoverem o bem integral da pessoa, atraiçoam a própria vida ética.

3. Este Domingo é o 1º da Quaresma que já começou na passada quarta-feira, chamada das Cinzas. Nessa celebração, repetia-se, de forma niilista, lembra-te que és pó e ao pó voltarás. Creio que é melhor a fórmula actual: convertei-vos e acreditai no Evangelho, acreditai na alegria.

Nesse dia, o texto de S. Mateus não entra na mentalidade mercantilista, que não faz o bem por ser bem, mas para dar nas vistas, aparecendo hipocritamente como virtuoso. Por isso, nas esmolas, emprega a sentença radical: não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita. O verdadeiro jejum e a verdadeira oração não podem ser um exibicionismo religioso.

Hoje, a liturgia eucarística lembra a fragilidade da nossa condição que não está confirmada no bem. Pode atraiçoar-se. O próprio Jesus, quando buscava o seu caminho, retirado no deserto, meditando na experiência mística, a seguir ao baptismo penitencial do rio Jordão, foi alvo de tentações messiânicas do poder de dominação: dominação económica, política e religiosa. Recusou tudo. O seu caminho não era o de dominar, mas o de servir, começando pelas periferias sociais e espirituais.

Os discípulos não entenderam isso. Para eles, o seguimento de Jesus era o começo de uma carreira. Nunca desistiram dessa ambição, por mais que Jesus lhes dissesse, nos dissesse também hoje a nós, que quem quer ser o primeiro coloque-se ao serviço de todos.

A nossa Quaresma só pode ser verdadeira se tiver como horizonte a conversão dos nossos desejos do poder de dominar. Uma pessoa só deve ser considerada católica porque deseja a sua vida ao serviço de quem precisa de ajuda, seja crente ou não. Uma Igreja só pode ser católica, isto é, universal, quando é uma escola de aprender a servir, sem olhar a quem. Todos nos devíamos tornar cada vez mais competentes, não para dominar, mas para servir.

R. Tagore exprimiu bem o sentido de uma Quaresma cristã: Adormeci e sonhei que a vida era alegria; despertei e vi que a vida era serviço; servi e vi que o serviço era uma alegria.

 

 

26 Fevereiro 2023



[1] Cf. Reportagem de Rita Ferreira e Patrícia Carvalho

[2] Baltazar Martins Jesuíno, Educação para a Felicidade e o Bem-Estar, Editora RH, 2021

[3] S.Th. I-II q. 1-5

[4] Cf. Jean-Pierre Torrell, La Somme de Saint Thomas, Cerf, 1998, pp. 47-48

[5] Cf. S.Th. I-II q. 106-108

[6] Cf. Frei Carlos Josaphat, Paradigma Teológico de Tomás de Aquino, Paulus – Brasil, 2012, p.314

[7] Cf. S.Th. I q. 98, a.2

ANIVERSARIANTES

 

Aniversários em Março

Durante este mês celebram o seu aniversário os nossos Amigos

NOME                                                                 Dia

  Manuel Pinheiro Luís                                                    4

  Manuel Fernando da Costa Marques                                   8

  José da Costa                                                          11

  Diamantino Mateus da Silva                                            13

  Luis Fernandes Boucho                                                15

  José Gonçalves Lopes                                                 16

  Vitor Alves Resio                                                        18

  César Silva Eugénio                                                     22

  Armindo Ferreira da Silva                                               24

  Joaquim Carvalhais                                                      30

  Frei Augusto José Matias                                                30

Para todos os nossos parabéns e os votos de um futuro cheio de Bençãos de Deus.