No próximo dia 10 de Dezembro, pelas 18,30 horas, no auditório Agostinho da Silva, da Universidade Lusófona de Lisboa, terá lugar a apresentação de um volume de homenagem ao Fr. Bento Domingues. Por certo que o Fr. Brento gostaria de se ver rodeado de muitos amigos e velhos companheiros. A editora "Paulinas Edições" distribuirá a cada participante um exemplar do livro, podendo cada um adquirir mais exemplares ao normal preço de autor.
domingo, 25 de novembro de 2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
O Cavaquinho e o "Brigalheiras"
In illo tempore… muitos de nós ficávamos em Aldeia Nova durante o período de férias de Natal e Páscoa, sobretudo os de mais longe. Aí pelos idos de 1957, o Pe. Luis Cerdeira consegue um acordo com a CP, que passou a fazer uns descontos especiais nos bilhetes de ida e volta e então a debandada era quase geral. Ora eu, mais o Celestino o Fernando Vaz e o Ferreira, tendo por mestre o Zé da Cruz (saludo Fr. Pedro), iniciámo-nos nas artes de barbeiro, mais modernamente cabeleireiro de homens. Num qualquer período de Natal, de 56 ou 57 talvez, eu também fiquei por A. Nova juntamente com muitos minhotos, transmontanos, beirões e outros. Era na verdade uma vida santa, só tendo que obedecer às ordens de levantar e recolher e ao toque da sineta para as refeições. Todos se lembram das instalações ao fundo do recreio, onde funcionavam os currais e também as instalações do pessoal da quinta que trabalhava sob as orientações do Irmão Fr. Domingos. Um desses funcionários da agro-pecuária, cujo nome já não recordo, solicitou os meus serviços e do Ferreira para um corte de cabelo. O rapaz era todo vaidoso, besuntava o cabelo de brilhantina e nós lá fomos prestar o serviço ao domicílio. Enquanto eu aparava o cabelo ao marialva, o Ferreira entretinha-se a afinar um cavaquinho que por ali encontrou, pertença do cliente ocasional. Concluída a tarefa, o Ferreira já dedilhava viras e chulas no versátil instrumento. Sei que no decurso da conversa, inócua presumo, que então travávamos, o homem é acometido de forte comichão nas partes ditas baixas e exclama enquanto se coçava freneticamente: Anda aqui qualquer coisa nas minhas brigalheiras!... Não é que, a partir daí, o respeitável funcionário passou a ser conhecido pelo “Brigalheiras”?!... Alguém se lembra desse nome? O Arnaldo Jordão do Vale, que não vejo nem aparece há uns anitos, nunca o esqueceu. Nesse ano, andámos de quarto em quarto a cantar as Janeiras aos Srs. Padres e ainda tenho presente a imagem de espanto e alegria do bondoso Padre Clemente de Oliveira, quando nos abriu a porta dos seus aposentos!... Lembras-te Ferreira, ou isto só está na minha memória de 10 000 gigas!...
Abraços
Nelson
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
PÁGINAS DA MINHA VIDA (1) - António da Silva Ferreira
Foi num dia, para mim, já perdido na bruma da memória, que o Padre Luis Cerdeira apareceu nas redondezas da Freguesia do Calendário em Junho ou Julho de 1955.
Ele era, naquela altura, “angariador de vocações”. E foi visitar os meus Pais para falar sobre o meu irmão Delfim – que Deus tenha em paz – que “gostaria de ser padre”.
Como isso chegou aos ouvidos do Pe Luis Cerdeira... não sei!
O certo é que ele apareceu em minha casa para combinar, com meus Pais, o ingresso do meu Irmão Delfim no seminário de Aldeia Nova-Freguesia do Olival.
O meu Irmão falava em ser padre; dizia que gostaria de ser padre mas... não me lembro de ele ter tomado uma decisão sobre o assunto por ele mesmo naquele dia. Alguém a tomou por ele. Só para tornar o assunto mais fácil!(?)
O que me lembro muito bem é que no fim de tudo estar assente em relação ao meu Irmão, o Padre Luis Cerdeira, já de saída, virou-se para mim e de surpresa, atirou-me com esta: E tú?... não queres ser padre?
Srpresa! Absoluta surpresa!!! No entanto, devo dizê-lo, até sentia uma certa inclinação para isso e não hesitei em responder: “Eu queria mas... os meus Pais não podem”!
Há coisas que se passam na nossa vida que nunca mais nos esquecem! E as minhas palavras, naquela altura, são uma dessas coisas. Aínda hoje me lembro como se fosse ontem!
O Padre Luis foi prontíssimo na contra resposta e disse: “podem podem! E, virando-se para os meus Pais disse “Vamos lá conversar”.
Não vou, aqui, entrar em pormenores mas, o que é certo é que, ao fim de algum tempo, não muito longo, eu fazia parte da lista dos “caloiros” que ingressariam no seminário de Aldeia Nova em Outubro daquele ano de 1955.
Àqueles que, juntamente comigo, assentaram praça na mesma altura e no mesmo local, peço que se sintam com plena liberdade para me corrigirem, até porque eu sou fraco em lembrar datas.
Portanto... M.Carvalho, J.Leopoldo, J.Alexandrino, J.Celestino, Luiz Ginja e Joaquim Moreira, ponham as vossas memórias em acção e corríjam-me, se for pareciso.
Com um fraternal abraço para todos , por aqui me fico hoje.
AFerreira
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
ANIVERSÁRIOS
Actualização dos Aniversariantes em Novembro
NOME Dia
Joaquim Luís Costa Soares 5
Isidro da Silva Dias 6
Armando Vicente Morais 7
Carlos Manuel Marques Pires 8
Manuel Frias Pena 9
Leonel Dias da Silva 9
Fernando Tavares Caetano 9
António Ezequiel Pereira Lucas 10
Carlos Manuel Vieira Baleco 14
Jose Antunes Ribeiro 18
Manuel Neves de Carvalho 19
José dos Santos Fortunato 28
Jaime Carvalho Coelho 28
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
ANIVERSÁRIOS EM NOVEMBRO
Durante este mês celebram o seu aniversário os
nossos Amigos
NOME Dia
Joaquim Luís Costa Soares 5
Isidro da Silva Dias 6
Armando Vicente Morais 7
Carlos Manuel Marques Pires 8
Manuel Frias Pena 9
Leonel Dias da Silva 9
Fernando Tavares Caetano 9
António Ezequiel Pereira Lucas 10
Jose Antunes Ribeiro 18
Manuel Neves de Carvalho 19
José dos Santos Fortunato 28
Para todos os nossos parabéns e os votos de um futuro cheio de
Bençãos de Deus.
domingo, 28 de outubro de 2012
Pretensão ou Sonho?!...
Eh! Rapaziada, vamos lá dar um pouco mais de vida e ânimo ao nosso blogue!
O Nelson está a começar a acusar o ”desgate”(desculpa Nelson. Sem ofensa!) dos anos. Se pára agora será muito pior. “Parar é morrer” e nós não queremos que o nosso ”irmão” Nelson morra. Ou queremos?
Tenho a impressão que ouví um não de tal sonoridade que fiquei com um terrível zumbido nos ouvidos. Aínda bem que é assim.
Mas temos que o provar arranjando trabalho para manter o Nelson ocupado. Não podemos deixá-lo caír no desalento. Nem tão pouco deixá-lo caír no mau hábito de não fazer nada ou pensar que nós nos esquecemos dele. Não é que a gente não saiba que ele é uma pessoa com muitos afazeres. Nós sabemos! Mas tenho a certeza de que ele gostaria que lhe “pusessemos um pouquinho mais às costas” no que respeita ao blogue “Criar Laços” – o nosso blogue!
Ora bem, se o “Criar Laços” é nosso e nos foi oferecido numa bandeja pelo Nelson e aqueles que com ele colaboraram, vamos usá-lo; vamos escrever as nossas histórias; vamos conviver e reviver as histórias que fizeram - e fazem - parte das nossas vidas; vamos pôr o Nelson a trabalhar para nós!
Peço desculpa pelo tom deste pretensioso chamamento de todos os que teem veia, ideias, imaginação para que ponham um bocadinho mais de “tinta no papel”.
Pela minha parte, eu tenho a impressão de que já uma vez disse a alguém, anteriormente’ que tive uma fase na minha vida em que qeria ser escritor. Mas nunca fui avante com a ideia. Tenho a certeza de que tomei a decisão certa.
Como podem ver por aquilo que acabo de escrever ou que acabarei de escrever – já não falta muito – a minha veia de escritor não me alcançará nenhum prémio nóbel de literatura. O que vale é que isso não me trás nenhuma desilusão. Mas confesso que gostaria de escrever como tantos daqueles que já nos deram o prazer de “saborear” a leitura dos seus artigos. Alguns dos quais de um calibre, talvez, um pouco elevado para mim.
Mas vou tentar organizar um pouco mais as minhas ideas e fazer a minha presença mais “visível” no “Criar Laços”. Desculpem se a frequência e qualidade não forem do melhor.
Darei o que posso e possuo.
Até à próxima vez – que não sei quando será – um grande abraço para todos aqueles me derem a honra de gastarem dois ou três minutos para lerem este desfiar de ideas sem nexo.
AFerreira
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
ALDEIA NOVA - por Antero Monteiro
(Memórias de Aldeia Nova, a quase 50 anos de distância…)
Chegou o dia! Combinado o encontro pelas 04h30 ou 05h00 da madrugada, com dois ou três companheiros de viagem, da mesma aldeia, (vide http://chaosdemeda.blogspot.pt ) que já eram alunos do seminário.
Depois de uma madrugada sem memória de nenhuma outra anterior tão grande, lá começou a utilização dos meios de transporte necessários e indispensáveis para rumar a Aldeia Nova:
- dois quilómetros de burra, para levar as malas;
- nessa altura, depois de sentir os pés, e até o esqueleto, congelarem numa paragem sem qualquer protecção, chegou a “camioneta de carreira”, janelas todas fechadas, para evitar a entrada do frio, com ar bafiento, atabacado, com cheiros adversos à pacificação de estômagos e do pequeno almoço madrugador, tomado à pressa. Curvas e mais curvas, naquelas pobres estradas de outros tempos, de Mêda e Trancoso emolduradas aqui e ali com a monumentalidade dos grandes blocos de granito…. até Celorico da Beira;
- Também ali o frio era muito. Lá se fez anunciar, ainda longe, o comboio, com o seu silvo habitual; horas de viagem, com mudança na Pampilhosa, para apanharmos o comboio que vinha do Porto e nos levaria a Caxarias.
Em Caxarias, lá saímos das diversas carruagens, com malas quase maiores do que nós. Como bando de pardais, chegámos em revoada, sem nos conhecermos, adivinhando que o destino era o mesmo: Aldeia Nova!
Os mais velhos que já conheciam o local, aproveitaram para jogar os matraquilhos no café, junto à estação de Caxarias, pondo em dia as conversas de colegas que se reencontravam depois de umas férias grandes. Chegou a carrinha para levar as malas e os que couberam. Os restantes, lá fomos caminhando até que a carrinha nos apanhou e nos conduziu a Aldeia Nova:
- Ali estava o seminário, com duas partes bem distintas: a parte velha e a parte nova, resultante de uma ampliação recente. Com tanta malta a chegar no mesmo dia a agitação foi grande: distribuição de camas no dormitório, lá no último piso, junto ao telhado, com a mala debaixo de cama; Depois o jantar, com o refeitório à luz dos petromaxes, o que era uma modernice para quem vinha das Beiras, habituado a candeias e candeeiros, com pouca luz. As refeições, embora modestas, mais urbanizadas e a horas certas, diria mesmo muito melhoradas, para a maior parte dos que chegavam daqui e dali, comparadas com as refeições frugais das nossas casas. Esclarecimentos, regras, tempos livres, um dia ou dois para adaptação, até começarem as actividades escolares.
Assim se entrou na rotina das aulas, recreios, almoço, estudo, missa (que foi, se bem me lembro em diferentes horários), o jantar, o período de estudo nocturno. O campo de futebol, tinha uma actividade intensa nos recreios, a vozearia reflectia-se no pavilhão ao fundo e vice-versa. A nossa vivacidade agitava o tempo e o espaço, cultivando o espírito e as nossas imensas capacidades físicas (existe um belo texto-poema do E. Bento que me lembra sempre esta vivência: http://criarlacos-ex-dominicanos.blogspot.pt/search?q=Lembras-te? ).
A vida, frequentemente compassada pelo toque da sineta, alcandorada à entrada do refeitório, sempre ouvida com agrado, qual reflexo pavloviano. Assim se seguiram os vários anos de 1964 a 1969 (dos 10-11 aos 15). A evolução foi gradual mas determinada e determinante. No terceiro ano passávamos para o dormitório da parte nova, em comunicação e com o dormitório velho.
A evolução das próprias edificações, sempre foi preocupação da Ordem e de todos os empenhados Dominicanos (grandes homens de que não mencionarei nomes para não esquecer ninguém) que zelavam pelas nossas condições de alojamento, formação escolar, saúde espiritual e física, foram construídas, nomeadamente:
- foi construída a ala dormitório lateral ao campo de futebol, a nascente, que estreámos no quarto ou quinto ano, muito compenetrados da importância de sermos os mais velhos, pois aquela separação dos mais novos dava-nos estatuto. Tinha uma localização estratégica importante para irmos rapinar fruta à quinta a horas tardias, cuidadosamente, para não sermos apanhados. Por baixo do dormitório ficava um espaço em que se jogava quase tudo, principalmente quando o tempo estava de chuva;
- campo de andebol e voleibol;
- junto aos campos de andebol e volei, no meio de videiras e laranjeiras, junto às restantes edificações, a nascente, foram construídas a lavandaria e estruturas de apoio;
- Nasceu, em substituição de uma modesta capela, a igreja mais ampla e moderna, de traços originais, arrojados e invulgares para a época.
Ciclicamente realizavam-se os jogos florais e peças de teatro. Um dos nossos melhores passatempos eram os jogos de futebol, sempre alimentados por um campeonato interno e também promovidos com localidades limítrofes. Lembro-me que a Urqueira era um dos dignos adversários. Lembro-me também do nosso grande, muito grande, guarda-redes, o açoreano José Maria.
Ainda passei pela enfermaria uma vez, com uma gripe terrível, com assistência cuidadosa e maternal das irmãs dominicanas.
Ainda guardo reminiscências do sabor do sorgo e memória da única vez em que a régua de cinco furos ( “menina dos cinco olhos” ) assentou repetidamente, por três vezes na minha mão direita, e de não sei quantos, por iniciativa do Pe Rogério. Mas, o que me deixou uma memória mais profunda, mais do que a própria régua, foi a tomada do nauseabundo óleo de fígado de bacalhau, para nosso bem, indispensável… não raramente, lá ia tudo às malvas.
Os passeios: aos moinhos do vento, onde cruzávamos espadas improvisadas, imitando os mosqueteiros e martirizando, não raramente as mãos e especialmente o dedos; as idas às piscinas, do Olival e de uma quinta a caminho de Ourém (cujo nome não recordo), as epopeicas aventuras de rumar a pé à nascente do rio Nabão; o pic-nic feito no Castelo de Ourém; a caminhada até Fátima no dia da visita do Papa Paulo VI. Ainda tenho gravadas na memória as reclamações dos meus pés essencialmente aquando das aventuras de ida à nascente do Nabão e a Fátima, a pé, as bolhas nos pés e os dois ou três dias de muitas dores musculares.
Os exames do 5º ano foram realizados no Liceu de Leiria, em geral com muito sucesso e boas notas em relação aos alunos do próprio Liceu. Assim ficou aferida, muito positivamente, a qualidade do nosso ensino, e acautelada para todos, a partir de então, a ligação ao ensino público ou privado.
Foram tempos de uma juventude intensa, que hoje avalio como muito mais feliz do que na altura me parecia. Criaram-se laços de amizade para a vida inteira. Com professores exigentes, esforçados, uns internos outros externos (…o Pe Chico, o prof. Sobral, o Capitão Guimarães e o Tenente Campante, de quem já contei um episódio em tempos, de quando o encontrei cerca de trinta anos mais tarde, em Lisboa “DOS MESTRES (I) – O TENENTE CAMPANTE” , aqui publicado em Fev2009,vide http://www.criarlacos-ex-dominicanos.blogspot.pt/2009/02/dos-mestres-i-o-tenente-campante.html ).
Foi esta Aldeia Nova que eu conheci e de cuja formação tanto beneficiei. Ali, conscientemente, se formavam homens. As histórias daqueles anos são infindáveis, principalmente pela gratidão e amizade que guardarei pra sempre daquele tempo e daquele lugar, pela positiva.
Por culpa do Eduardo Bento que reacendeu a nossa nostalgia e plenitude dominicana… e do Nelson que “exige” mais produtividade, aqui fica o meu testemunho dos tempos idos, para memória das pessoas e das coisas.
Antero
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