quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

QUARTA-FEIRA DE CINZAS - Reflexão

Como disponho de mais tempo que muitos de vós que ainda não estais reformados, interroguei o meu computador e ele disse-me tanta coisa sobre o dia de hoje... Fernando

A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão ocidental. As cinzas que os cristãos católicos recebem neste dia é um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte. Ela ocorre quarenta dias antes da Páscoa sem contar os domingos ( que não são incluídos na Quaresma); ela ocorre quarenta e seis dias antes da Sexta-feira Santa contando os domingos. Seu posicionamento varia a cada ano, dependendo da data da Páscoa. A data pode variar do começo de fevereiro até a segunda semana de março.
O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. Por exemplo, no livro de Ester, Mardoqueu se veste de saco e se cobre de cinzas quando soube do decreto do Rei Asuer I (Xerxes, 485-464 antes de Cristo) da Pérsia que condenou à morte todos os judeus de seu império. (Est 4,1). Jó (cuja história foi escrita entre os anos VII e V antes de Cristo) mostrou seu arrependimento vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinzas (Jó 42,6). Daniel (cerca de 550 antes de Cristo) ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: "Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza" (Dn 9,3). No século V antes de Cristo, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei, que além de tudo levantou-se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3,5-6). Estes exemplos retirados do Antigo Testamento demonstram a prática estabelecida de utilizar-se cinzas como símbolo (algo que todos compreendiam) de arrependimento.
O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que se recusavam a arrepender-se de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Ele proferiu: "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas. (Mt 11,21)

Para enriquecer esta reflexão aqui vai a “marcha da quarta feira das cinzas” de Carlos Lyra e Venícios de Moraes.

“Hoje é quarta feira das cinzas, acabou nosso carnaval.
Ninguém ouve cantar canções, ninguém passa mais cantando feliz;
E nos corações, saudades e cinzas foi o que restou.
Pelas ruas o que se vê é uma gente que nem se vê,
Que nem se sorri e se beija e se abraça e sai cantando, dançando, cantigas de amor!
E no entanto é preciso cantar... Mais que nunca é preciso cantar!
É preciso cantar e alegrar a cidade.
A tristeza que a gente tem, qualquer dia vai-se acabar.
Todos vão sorrir! Voltou a esperança!
E o povo que dança, contente da vida, feliz a cantar...
Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar, que a gente nem sabe!
Quem me dera viver para ver e brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais.
Que marchas tão lindas e o povo cantando
Seu canto de paz... Seu canto de paz...



Aqui vai outro poema com cheiro a cinza e a consolação


Poema de fr. josé Augusto Mourão, op, in: Vazio Verde


Dia Cinzento
guiai-nos, Deus,
na viagem através do deserto
até ao lugar da tua crucifixão
e da tua Páscoa.

guiai-nos, Deus,
da via cinzenta dos nossos dias
à via gloriosa da tua cidade.

seja este o tempo favorável
para a confissão do pecado e do louvor,
nós que vivemos na fragilidade do corpo nómada
o imaginário do oásis
e os lugares de repouso.

guia-nos, Deus,
para a inquietação que permanentemente te nomeia,
Deus em Jesus Cristo e no Espírito consolados.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

ÀS AMIGAS, AOS AMIGOS

Já não chove, ou há menos chuva

à vista, para os dias próximos, será?!


Apareci aqui apenas para vos dizer

que o meu silêncio não é de ouro.


Cuidem-se. Um forte abraço!

(J.A.R.)



A tua obra, meu caro poeta, não é breve,

nem necessita de ser aparada e retalhada.

Vou pedir à mais bela das mulheres para

que a recite em voz alta, essa terna e linda

mulher vai lê-la em público para que todos

os herdeiros se possam apresentar para a

cerimónia da partilha, um repetido clamor

ecoará nos céus para que os tempos voltem

a correr para o lugar da fonte: fluxo e

refluxo das marés, terás a presidência no

banquete para que os mananciais dos rios

se possam alargar. Não haverá feriado sobre

a terra, nem interrupção, nem descanso, nem

repouso, nem alívio, nada mais poderá andar

para trás, nem diminuir, nem afrouxar. A

humilhação será banida da face da terra e

o homem será cada vez mais homem, não

permitiremos que o templo seja profanado

nem que se verta impunemente o sangue dos

inocentes. Todos os cativos serão libertados.

Todos serão nomeados pelos seus nomes.

Ninguém mais morrerá de fome: a poesia

assentará arraial no coração de todos os

homens dos tempos por vir, as flores de

todos os jardins erguer-se-ão num hino

constante ao criador, tudo isto foi mandado

lavrar como sentença nos livros públicos

para que possa cumprir-se conforme previsto

nas escrituras...e no entanto, os fios e os

laços emaranharam todos os novelos, as

aranhas puderam continuar a construir

pacientemente as suas teias, nada mais

que um ténue sinal brilha ao longe, alguns

mais sábios falam de um cometa, tu talvez

pudesses conduzir a minha pobre mão...

a minha pobre mão...a minha pobre mão...

(J.A.R.)



TODOS OS LIVROS, DIZ ELE

Editora Ulmeiro, Lisboa, 1999


JOSÉ ANTUNES RIBEIRO
Editor e poeta
(“Editor acima de tudo, poeta às vezes”…)
Outras obras publicadas:

O Difícil Comércio das Palavras

Fragmento e Enigma

Rio do Esquecimento

Mar a Mar

A maior parte dos autores e olheiros deste blogue conhecem-no de Aldeia Nova. Sabem que nasceu em Alburitel. Conhecem o seu percurso de poeta e editor.
Tenho notado nos novos intervenientes neste espaço uma certa apetência pela poesia. Então porque não recorrer aos poetas que respiraram o mesmo ar e beberam das mesmas fontes que nós?
A.A.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Quem os conhece?
















(clica nas imagens para ampliar)
Fotos do arquivo do Domingos Carvalhais

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

LUIS BATISTA - É mais um dos nossos!

Olà Isidro,

Foi com algum prazer receber estas tuas palavras amigas e poder recorder um tempo que sem dúvida marcou para sempre as nossas vidas. Para te ser franco, não me recordo de ti, a nao ser que sejas aquele que ainda menino como eu, chorava muito pela sua família, ao princípio. Reparo, não serás das Cabeças Verdes, Seixo de Mira?

Não tenho a certeza absoluta, mas creio que deixei a “Aldeia Nova” nos fins de Junho de 1966, para tratar dos documentos neccesários para imigrar para a Venezuela acompanhado do meu irmão Alberto e da minha falecida e saudosa Mãe.

Quanto aos estudos, já depois de atingir os meus belos 37 anos, concluí o 10º ano e o 12º apenas em matemática para negócios, estes alheios, e dos quais eu não pratico nada. Sou contínuo numa escola primária e muito querido das pessoas que trabalham comigo, além da minha família como é óbvio.

Quanto às minhas aptidões poéticas, eu teria muito que falar, mas vou deixar isso só lá para o próximo Verão quando nós, espero bem que sim, nos encontrar-mos em fins de Agosto. Por agora, eu deixo-me levar pelas ondas mansas, como se fosse um barquinho de papel de uma criança que nunca cresce.

Quim, mais uma vez o meu muito obrigado pela tua hospitalidade para com a minha família, de igual modo para a tua cunhada Rosa.
Um abraço para todos, Luis.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Padre António Areias lança livro sobre Miguel Torga


Recentemente, o Padre António Areias lançou em Sabrosa, o seu primeiro livro intitulado “A Dimensão Ética e Social no Romance VINDIMA de Miguel Torga”.






O Auditório Municipal de Sabrosa encheu-se de convidados para presentear o autor com um momento tão particular. A sessão constou das boas-vindas dadas pelo Presidente da Câmara, José Marques, seguindo-se a apresentação do livro por Maria da Assunção Anes Morais. Finalmente, o autor dirigiu-se aos presentes com palavras de emoção e de agradecimento. A sessão foi ainda abrilhantada por um concerto mariano pelo Grupo Coral “Cappella Douro”, seguido de um Porto de Honra “natalício”.


Padre António Manuel Teixeira Areias, licenciado em Teologia, cujas raízes são de Lebução, Valpaços, encontra-se na região duriense há cerca de doze anos no exercício do ministério sacerdotal, actualmente pároco em Provezende, Covas do Douro, Vilarinho de S. Romão e Gouvães. É também professor de Educação Moral e Religiosa e Católica, desde 1997 na Escola E.B. 2,3/Sec. Miguel Torga – Sabrosa.


Este livro, editado pela Gráfica de Coimbra, resulta da sua dissertação de Mestrado em “Ética Social Cristã na Era da Globalização” pela Universidade Católica. Padre Areias decidiu apresentar o seu livro na terra natal do escritor transmontano, Miguel Torga, e na terra que o adoptou nos últimos anos como sacerdote e docente.


O livro, centrado no único romance de Torga, “Vindima”, orienta-nos em três vertentes: a dimensão social, a dimensão ética e no romance torguiano “Vindima”. Quer o romance de Miguel Torga, quer o livro de Padre António Areias conduzem o leitor à reflexão sobre a dureza do trabalho duriense, sobre as relações entre patrões e trabalhadores, entre os grupos masculinos e femininos, sobre a paisagem duriense.


O livro publicado é de leitura obrigatória para todos aqueles que gostam do escritor transmontano, de reflectir sobre o espaço duriense, sobre o contexto histórico da guerra civil espanhola e da segunda guerra mundial. Tudo é centrado na tradição característica da zona: a roga.
(Texto remetido pelo Fernando)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

TEMPOS LIVRES

Sabemos que a memória é uma coisa obsoleta, indigesta e merecedora de repúdio público. Mas eu sou antiquado, desculpem lá


De vez em quando tenho uma recaída mais grave, mergulho no fundo do baú do tempo amarelecido e saio de lá com relíquias como esta.

Os 11 violinos

Comecemos pela localização. Estamos exactamente no “magnífico estádio” do Grupo Desportivo de Fátima nos anos sessenta. Esta colecção de ídolos da bola, integrava nomes sonantes como o Filipe Lage Baptista (“O Pastilhas”), o António Pereira da Costa (“O Cabecinha de ouro”), o Arnaldo Jordão do Vale (“O Pé canhão”). Conto com a vossa ajuda para a identificação de todo o grupo.

À excepção de um, todos os outros “mágicos” são da “cantera”, ou seja, produto da “academia” ou “liceo” de Aldeia Nova. A excepção era uma aquisição oriunda do Porto, mais precisamente de Rio Tinto, senhor de “elevada cultura técnico-táctica”.

O equipamento, para quem não distinguir as cores, era idêntico ao do Sporting Club de Portugal, obviamente. (Quem oferece, merece publicidade). Até as botas vieram de lá, usadas.

Reparem nas caneleiras. Era com esta confiança na lealdade e fair-play dos adversários, que se mostrava o nosso espírito desportivo. Os cronistas actuais de futebol diriam, sobre estas imagens, que estes jogadores se assemelhariam a combatentes que iam para a guerra desarmados e sem escudo. Posso garantir-vos que nenhum destes jogadores de futebol saiu alguma vez lesionado. Outros tempos.

As “bancadas” encontram-se no lado oposto e nesse dia estavam repletas.

A. Alexandrino