terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Papa anula a excomunhão de bispos ultraconservadores de Lefebvre


Desde sábado dia 24 de Janeiro, todos ouvimos e lemos comentários sobre um certo decreto publicado pelo Vaticano. O Papa Bento XVI, anulou com este decreto, a excomunhão decretada em 1988 por João Paulo II contra os bispos ultraconservadores do movimento cat3lico fundado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. O decreto que suprime a excomunhão para os quatro bispos ordenados por monsenhor Lefebvre, foi assinado em nome do Sumo Pontífice pelo cardeal Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos. A ordenação de quatro bispos por parte do próprio Lefebvre (falecido em 25 de março de 1991), desobedecendo à autoridade do Papa, está entre as razões que o levaram a criar outra Igreja, com o cisma (separação) da Igreja oficial em 1988, o primeiro desde 1870. Os bispos ordenados, excomungados e agora beneficiados são o suíço Bernard Fellay, sucessor de Lefebvre, o francês Bernard Tissier de Mallerais, o inglês Richard Williamson e o hispano-argentino Alfonso de Galaretta. Anular a excomunhão constitui um passo importante para a reconciliação com o movimento tradicionalista e dogmático, que tem 460 padres espalhados por quase 50 países e tem sua maior comunidade na América Latina, em particular na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e República Dominicana.Desde o início de seu pontificado em 2005, Bento XVI fez vários gestos de “abertura” em direção ao movimento católico fundado pelo arcebispo francês:
-07.07.2007 - Os católicos tradicionalistas adeptos do monsenhor Lefebvre saudaram nesta data "o restabelecimento em seus direitos" da missa em latim, mas afirmam que "ainda existem dificuldades" com o Vaticano e desejam ir mais longe...
"A Fraternidade São Pio X deseja que o clima favorável instaurado pelas novas disposições da Santa Sé torne possível – logo que seja retirado o decreto de excomunhão que ainda afeta muitos de seus bispos - abordar com maior serenidade os pontos doutrinais em litígio".
O papa Bento XVI decidiu autorizar a celebração da missa em latim, abandonada pela Igreja depois do Concílio Vaticano II, aos sacerdotes e aos fiéis que assim solicitarem, num decreto divulgado neste sábado pela Santa Sé. Os sacerdotes das paróquias deverão acolher "de bom grado" as solicitações dos fiéis, indica o decreto ('motu proprio'), que satisfaz assim uma antiga reivindicação das correntes tradicionalistas da Igreja Católica.
Em caso de rejeição por parte de um sacerdote da solicitação dos fiéis, "pede-se vivamente ao bispo que satisfaça seu desejo".
O decreto papal também reconhece a possibilidade desta celebração em latim para circunstâncias particulares, como casamentos, funerais ou peregrinações.
A liberação da Missa antiga, que nunca foi revogada, não foi fácil. O Papa Bento XVI teve que enfrentar uma fortíssima oposição do Episcopado e mesmo de muitos Cardeais, que vêem na liberação da Missa uma condenação indireta e simbólica do Concílio Vaticano II. Foi por causa dessa oposição que Bento XVI liberou a Missa de sempre por meio de um Motu Proprio, isto é, por meio de um acto legislativo, implicando exclusivamente o Papa, sem consulta, aprovação ou reprovação do episcopado. Desse modo, a liberação da Missa por meio de um Motu Proprio foi um acto que passou por cima da Colegialidade promulgada pelo Concílio.
Em junho de 2008, o Vaticano renunciou a exigir dos adeptos de Lefebvre, reunidos na Fraternidade de São Pio X, fundada em 1969 em Econe (Suíça) pelo monsenhor Lefebvre, o reconhecimento das disposições do Concílio Vaticano II, celebrado entre 1962 e 1965 e que modernizou a Igreja.

Não sei se estou furioso ou triste, mas certamente os dois... O Concílio Vaticano II, esta 20ª àrvore que trazia nela tantas promessas, começava a florir... Ainda não deu todos os frutos prometidos e esperados e... começam a cortar ramos, a meu ver de forma imponderada, mesmo aqueles em que os frutos estão a amadorecer... Onde estão os Teólogos do século XXI?!... Parece-me que estamos orfãos de quase todos os grandes teólogos do século XX, que foram muitos e muito bons e foram eles que fizeram Vaticano II. Perdão, Karl Barth, Congar, Chenu, Henri de Lubac, Edward Schillebeeckx, Hans Küng, e tantos outros...
Hoje, quando digo no credo “creio na Igreja una, santa, católica e apostólica” não me refiro a uma realidade existente que proclamo, e ainda menos a um dogma, mas a uma aspiração, a uma invocação para que assim advenha. Felizmente que Cristo e a sua Boa Nova continuam intactos, de uma grande actualidade, dando-nos força e entusiásmo para continuar...
Um fraternal abraço,
Fernando.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

ANTÓNIO FERREIRA - Da Austrália com amizade

Meus amigos:
Estamos todos bem e a salvo. Este "tsunami" de fogo na Austrália, está a ter lugar a cerca de 3500Km de distância. Porém já lá vivemos, ao princípio. Quanto às inundações são, igualmente, a cerca de 4000Km daqui.
Tudo bem por aqui. Esperamos que por aí tudo esteja bem com vocês pois tambem têm tido a vossa parte de mau tempo.
Muita saúde e um grande abraço.
António Ferreira

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pe. Francolino Gonçalves, Dominicano, é investigador da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém.

Bento XVI nomeou este Sábado o Dominicano português Francolino Gonçalves, investigador da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém, como membro da Comissão Bíblica Pontifícia. A nomeação é válida para os próximos cinco anos, com possibilidade de renovação.O sacerdote nasceu em Corujas, Macedo de Cavaleiros, em Março de 1943. Entrou para os Dominicanos, em Fátima, no ano de 1959 e foi ordenado sacerdote em Novembro de 1968, na cidade canadiana de Montréal.
O Pe. Francolino Gonçalves junta-se a um grupo dos mais distintos biblistas da Igreja Católica, que provêm de várias escolas e nações, por se terem destacado pela sua “ciência, prudência e sentir católico em relação ao magistério eclesiástico”, como explica a Santa Sé.
O percurso académico, no estudo das Escrituras, do Dominicano português passou pela Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém (onde foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian), pelo Instituto Orientalista de Lovaina (Bélgica) e pela Universidade Dominicana de Filosofia e Teologia de Ottawa (Canadá).
É doutor em filologia e história orientais pela Universidade Católica de Lovaina e em Letras (História da Antiguidade) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Lecciona na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém desde 1975 e é professor convidado em várias Universidades de Teologia.
Os seus principais centros de interesse são a dimensão política do profetismo no Próximo Oriente Antigo e a história da formação dos livros proféticos da Bíblia, em especial Isaías e Jeremias.
(informação do António Silva)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

E ESTA?!...

Rezam as estatísticas de que vamos dispondo, que em Portugal há 38 mil jovens licenciados, desempregados. Não vos parece que a juventude a quem Vicente Jorge Silva um dia apelidou de "rasca", é hoje uma juventude "à rasca"?
Nelson

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

JOÃO DE MELO - 4 DE FEVEREIRO - PARABÉNS!...

Já me não cruzei com ele em Aldeia Nova, no "internato gratuito" de que fala uma sua biografia que consultei. Não o conheço pessoalmente, mas já me encontrei com ele nas págimas de alguns dos seus livros. É um dos nossos, que hoje completa 60 anos, se calhar longe da sua Achadinha natal plantada na ilha de S. Miguel, mas perto de todos os que o admiram.
Fica aqui esta evocação, à guisa de homenagem deste espaço, onde todos gostariamos de encontrá-lo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O CRIADOR DE GAMBOZINOS

( Dedico este texto ao extremista Vintém e ao fantasmagórico Purificação)


O CRIADOR DE GAMBOZINOS


O Malaquias é muito esperto, mesmo muito esperto. Ele é, mais que tudo, um optimista. Quando todos os seus vizinhos, amigos e conhecidos, andam cabisbaixos, tristonhos e sem saber o que fazer da vida, o Malaquias sorri, assobia e alisa, satisfeito, a barriga. Diga-se que a barriga do Malaquias é a parte mais importante do seu ser, mais importante ainda que a cabeça de que ele às vezes se serve para pensar. Ele é homem de ver à distância.
Então não é que o Malaquias, nestes conturbados tempos, engendrou um projecto para sair por cima desta crise? Este fura-vidas, com a sua esperteza natural, projectou uma empresa de criação de gambozinos. Isso mesmo. Está tudo no papel e ele já solicitou apoio financeiro, desse que o governo disponibiliza para as pequenas e médias empresas. E o sonho do Malaquias vai certamente ser subsidiado pois ele tem dois compadres altamente colocados. Surgirá um grande empreendimento, voltado para todo o mercado nacional quiçá até envolvido na exportação. Será auto-suficiente no campo energético pois conta fazer dos dejectos dos animais uma fonte de produção de electricidade. Homem empreendedor, está voltado para as novas tecnologias e as energias renováveis não lhe passam ao lado. Como homem desenrascado e espertalhão tem tudo pensado. Melhor dizendo, tudo bem calculado, porque o Malaquias raramente pensa, ele calcula. É homem de medir, longamente, o salto… Paira, paira e só depois cai a pique sobre a situação. Tem uma certeza: será empresa modelar. Tudo está dependente do subsídio.
Aqui será o escritório, ali o armazém, além as diversas capoeiras de criação de gambozinos. Ah! Mas o Malaquias tem uma dúvida. Ele não sabe se os bichos são aves ou mamíferos, muito menos sabe se eles se dão em cativeiro. Não importa, a seu tempo tudo se há-de resolver. Mas é no átrio, ao ar livre, que o empresário põe todo o seu cuidado. O Malaquias já se vê ali, à entrada, sentado num confortável cadeirão, a dirigir, a dar ordens, sob a sombra frondosa de uma tília ainda a plantar e que em poucos anos há-de ser multissecular.
Assim venha depressa o subsídio que ele, Malaquias, há-de ser um exemplo de iniciativa e criatividade.

Eduardo Bento

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

DOS MESTRES (I) - O TENENTE CAMPANTE


Com a abertura ao Mundo e a crescente integração na sociedade, por razões que só o nosso Director ( Frei João Domingos ) melhor conheceria, começámos a ter professores externos. Como o Isidro já comentou, um deles era o Tenente Campante. Dava –nos Física no 3º ano e Ginástica , não me lembro bem se uma ou duas vezes por semana, conjuntamente com o Capitão Guimarães, que nos dava Matemática.
Conduzia-se como pessoa austera, exigente e apresentava o rigor de militar que efectivamente era.
Escrevia no quadro ou chamava um de nós para o fazer, e de ponteiro na mão, apontava, falava e lá assentava o ponteiro no penteado de um ou outro mais erráticos ou distraídos.
Certo é que essa cultura de responsabilidade dava para aprender e educar, num prisma muito suis generis , sintonizado um pouco com a cultura castrense.

Num belo dia de 2006 ou 2007, tem acabado uma diligência, caminhava eu pelo corredor de um dos pisos superiores do Palácio da Justiça de Lisboa e de repente aquela voz sonante atrai-me a atenção por ser minha conhecida , mas a décadas de distância. Não resisti a dirigir-lhe a palavra:
- Tenente Campante?
- Se calhar estou a despromovê-lo, continuei , hesitando.
- Sou! pois, já não sou Tenente , mas já fui . Desculpe, mas, não estou a reconhecê-lo!
- Mas eu, que já o não via há mais de trinta anos, reconheci-o logo!
-Sim? Mas de onde?
- De Aldeia Nova – Olival !
- Não me diga!
- Fui seu aluno de Física, e daquelas aulas de ginástica, a que faltei algumas vezes em dias de Inverno mais agrestes.
Visivelmente bem humorado, com notório contentamento pelo encontro, respondeu:
- Tenho saudades desse tempo! Aquilo era gente boa! Bons tempos. Já lá vão uns anitos! Mais de trinta… alguns quarenta! Eu era bem mais novo!
Éramos!
Com a nostalgia dos bons tempos, depois de breve conversa, lá nos despedimos, ficando a saber que, entretanto, se tinha licenciado em Direito e se bem percebi já se tinha aposentado com uma patente bem mais elevada.

Encontrei-o como quem encontra um amigo de longa data. Há quarenta anos estávamos em campos diferentes. Nunca o tinha visto com tão bons olhos.
Entendo hoje a exigência educativa daqueles dias do nosso passado. Contribuiu para o nosso crescimento, responsabilidade e estruturação, preparando-nos para a sociedade em que nos integrámos.


Antero Monteiro