Desde sábado dia 24 de Janeiro, todos ouvimos e lemos comentários sobre um certo decreto publicado pelo Vaticano. O Papa Bento XVI, anulou com este decreto, a excomunhão decretada em 1988 por João Paulo II contra os bispos ultraconservadores do movimento cat3lico fundado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. O decreto que suprime a excomunhão para os quatro bispos ordenados por monsenhor Lefebvre, foi assinado em nome do Sumo Pontífice pelo cardeal Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos. A ordenação de quatro bispos por parte do próprio Lefebvre (falecido em 25 de março de 1991), desobedecendo à autoridade do Papa, está entre as razões que o levaram a criar outra Igreja, com o cisma (separação) da Igreja oficial em 1988, o primeiro desde 1870. Os bispos ordenados, excomungados e agora beneficiados são o suíço Bernard Fellay, sucessor de Lefebvre, o francês Bernard Tissier de Mallerais, o inglês Richard Williamson e o hispano-argentino Alfonso de Galaretta. Anular a excomunhão constitui um passo importante para a reconciliação com o movimento tradicionalista e dogmático, que tem 460 padres espalhados por quase 50 países e tem sua maior comunidade na América Latina, em particular na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e República Dominicana.Desde o início de seu pontificado em 2005, Bento XVI fez vários gestos de “abertura” em direção ao movimento católico fundado pelo arcebispo francês:
-07.07.2007 - Os católicos tradicionalistas adeptos do monsenhor Lefebvre saudaram nesta data "o restabelecimento em seus direitos" da missa em latim, mas afirmam que "ainda existem dificuldades" com o Vaticano e desejam ir mais longe...
"A Fraternidade São Pio X deseja que o clima favorável instaurado pelas novas disposições da Santa Sé torne possível – logo que seja retirado o decreto de excomunhão que ainda afeta muitos de seus bispos - abordar com maior serenidade os pontos doutrinais em litígio".
O papa Bento XVI decidiu autorizar a celebração da missa em latim, abandonada pela Igreja depois do Concílio Vaticano II, aos sacerdotes e aos fiéis que assim solicitarem, num decreto divulgado neste sábado pela Santa Sé. Os sacerdotes das paróquias deverão acolher "de bom grado" as solicitações dos fiéis, indica o decreto ('motu proprio'), que satisfaz assim uma antiga reivindicação das correntes tradicionalistas da Igreja Católica.
Em caso de rejeição por parte de um sacerdote da solicitação dos fiéis, "pede-se vivamente ao bispo que satisfaça seu desejo".
O decreto papal também reconhece a possibilidade desta celebração em latim para circunstâncias particulares, como casamentos, funerais ou peregrinações.
A liberação da Missa antiga, que nunca foi revogada, não foi fácil. O Papa Bento XVI teve que enfrentar uma fortíssima oposição do Episcopado e mesmo de muitos Cardeais, que vêem na liberação da Missa uma condenação indireta e simbólica do Concílio Vaticano II. Foi por causa dessa oposição que Bento XVI liberou a Missa de sempre por meio de um Motu Proprio, isto é, por meio de um acto legislativo, implicando exclusivamente o Papa, sem consulta, aprovação ou reprovação do episcopado. Desse modo, a liberação da Missa por meio de um Motu Proprio foi um acto que passou por cima da Colegialidade promulgada pelo Concílio.
Em junho de 2008, o Vaticano renunciou a exigir dos adeptos de Lefebvre, reunidos na Fraternidade de São Pio X, fundada em 1969 em Econe (Suíça) pelo monsenhor Lefebvre, o reconhecimento das disposições do Concílio Vaticano II, celebrado entre 1962 e 1965 e que modernizou a Igreja.
Não sei se estou furioso ou triste, mas certamente os dois... O Concílio Vaticano II, esta 20ª àrvore que trazia nela tantas promessas, começava a florir... Ainda não deu todos os frutos prometidos e esperados e... começam a cortar ramos, a meu ver de forma imponderada, mesmo aqueles em que os frutos estão a amadorecer... Onde estão os Teólogos do século XXI?!... Parece-me que estamos orfãos de quase todos os grandes teólogos do século XX, que foram muitos e muito bons e foram eles que fizeram Vaticano II. Perdão, Karl Barth, Congar, Chenu, Henri de Lubac, Edward Schillebeeckx, Hans Küng, e tantos outros...
Hoje, quando digo no credo “creio na Igreja una, santa, católica e apostólica” não me refiro a uma realidade existente que proclamo, e ainda menos a um dogma, mas a uma aspiração, a uma invocação para que assim advenha. Felizmente que Cristo e a sua Boa Nova continuam intactos, de uma grande actualidade, dando-nos força e entusiásmo para continuar...
Um fraternal abraço,
Fernando.
